Saturday, October 29, 2016

Procure no Google

Procure por políticas públicas de produtividade no Brasil. Mude as palavras chave, mude a ordem, mude o que quiser. Você não vai achar quase nada. Procure por cultura de produtividade no Brasil. Você só vai achar aspectos negativos.

A Lei do quebra molas - Abrindo mão de administrar



A lei do quebra molas estabelece o seguinte:
Para administrar nossa incompetência, temos que abrir mão de administrar, criando regras restritivas para todos. Admitimos nossa incapacidade de agir seletivamente porque sabemos que não temos competência para tanto. Sabemos que caso a caso tudo será prioritário e que agiremos como se o Estado pudesse tudo. Déficits são problema do próximo governo.

A PEC 241 evidencia que aqui não prevalecem os princípios, prevalecem as conveniências. Se quisermos o equilíbrio fiscal, temos que limitar a ação dos políticos. A PEC é um ato de abrangência geral, realizado de uma só vez, como recomenda Maquiavel. As objeções ficam diluídas no tempo.
A PEC é, sem dúvidas, essencial no momento. É boa para o país. Mas seria melhor se fosse possível confiar no discernimento de nossos políticos. Para obter racionalidade, lamentavelmente, temos que castrar seu comportamento.

Cara de pau

http://oglobo.globo.com/brasil/apos-reuniao-renan-diz-que-carmen-lucia-exemplo-de-carater-20375979


Renan disse que Cármen Lúcia é ‘exemplo de caráter’.
Sob o aspecto da miséria cultural, as mentiras, a impermeabilidade a evidências, a afirmação do absurdo, a negação do óbvio e o estelionato eleitoral podem até estarrecer menos que a cara de pau do presidente do senado. Vejam só, Renan Calheiros estabelecendo padrões de comportamento. Uma coisa é subestimar a inteligência das pessoas, outra coisa é já partir do princípio que elas são idiotas. Ou será que somos mesmo um povo tão bobo assim?

Thursday, October 20, 2016

Seu Mundo Caiu?

Postado originalmente em agosto de 2015

Em 22 de março de 2015 o Datafolha publicou resultado de pesquisa realizada nos dois primeiros dias após as manifesstações populares de 15 de março, que levaram milhoes de pessoas ás ruas em protesto contra o governo. A conlucão da pesquisa é contundente:  A Maioria da população brasileira é contra a privatização da Petrobras.  61% dos entrevistados disseram ser contra a privatização da empresa. Isso em um momento em que o país enfrenta uma das maiores crises politicas e econômicas de sua história e em que o governo populista da prisidente Dilma Rousseff apresenta um dos menores graus de popularidade da história republicana. Não bastasse isso, a Petrobras  é também o principal protagonista da crise, devido, nada mais nada menos , ao maior e mais extraordinário caso de corrupção organizada, sistêmica e duradoura de que se tem conhecimento neste país.  
É bem provável que se a pesquisa fosse feita antes do início da operação lava jato, as opiniões contrárias à privatização teriam sido muito superiores aos 61% registrados em março de 2015.
No dia 4 de abril, O blogueiro Reinaldo Azevedo, dos poucos que tem coragem de se manifestar abertamente em favor da privatização da Petrobrás, escreveu na Folha de São Paulo um blog intitulado “Paixões escravas”, em que ele  afirma que "o misto de má-fé e de má-consciência do petismo contribuiu, sim, para levar a Petrobras à lona, mas é importante termos claro que os valentes teriam quebrado a empresa ainda que fossem puros como as flores". Perfeito. O jornalista, com incrível poder de síntese, disse tudo sobre o 'Estado Gestor', que pode ser corrupto ou  não mas é quase sempre incompetente. É lamentável que 60% dos brasileiros não tem alcance para entender esse fato.  

Na época, comentei o assunto no site da revista Veja. Transcrevo a seguir, com  modificações, esses comentários. 

"Reinaldo, seu mundo caiu? O meu não. Não haveria de ser por causa do total fracasso do populismo que levou o país a uma das piores situações econômicas de sua história e da corrupção sistêmica e generalizada que a evidência dos fatos iria  prevalecer sobre a mentalidade ibérica, romântica, paternalista, assistencialista, oportunista e fisiológica de um povo. Quem leu Laurentino Gomes, '1808' e '1822',  principalmente, sabe bem que esses adjetivos não são invenção minha.  Eu apenas acrescentaria um: parasítica. 
61% são contra a privatização. Isso me fez lembrar uma frase que ouvi do meu colega Marcos Caxias de Freitas há mais de 40 anos e que até hoje me parece aterrorizante: "brasileiro gosta de governo" . Isso mesmo, o nosso povo espera em Deus e no governo para a solução de seus problemas e para a realização de seus anseios.
Na disputa entre a mentalidade enraizada e as evidências em contrário, a mentalidade  enraizada quase sempre prevalece. Suponhamos que a pergunta tivesse sido:
  •  Você aprova o protecionismo sistemático à produção nacional?
  • Você aprova a exigência de índices de nacionalização dos equipamentos financiados pelos bancos públicos? 
  • Você acha que o governo deve controlar os preços?
  • Você aprova as  cotas  para admissão em escolas e empregos?



Alguém acredita que o percentual de respostas positivas a essas  perguntas seria inferior a 60%?

Nos últimos meses o povo foi às ruas, aos milhões, protestar contra o governo, a corrupção e os maus serviços públicos. O resultado da pesquisa da Datafolha é um alerta para que não nos impressionemos tanto com essas manifestações. Elas foram um ótimo sinal que a classe média não é boba  e sabe reagir nos momentos mais críticos e, principalmente, sabe reagir pacificamente e dentro das leis. Porém, essa reação, por mais eloquente que tenha sido, com  certeza reflete mais uma insatisfação com a conjuntura, notadamente com a parte que afeta o bolso das pessoas.  Já a pesquisa da Datafolha, focada em um ponto nevrálgico da percepção de uma realidade histórica, reflete uma cultura altamente enraizada no DNA do Brasileiro."  
A percepção dos políticos  sobre o nosso DNA, par sua vez,  faz com que eles não se arrisquem  a assumir convicções permanentes sobre princípios fundamentais contrárias ao arsenal  “progressista” , pois, no dia a dia do funcionamento da política,  tais convicções (e a coerência entre elas) se tornam altamente inconvenientes. Sobre este tema, recomendo que quem ainda acredita em princípios leia o artigo de JR Guzzo "Tudo depende", na Veja de 20 de maio de 2015. 

É  lamentável que nossa cultura nos incute o medo de sermos uma elite ou vistos como tal. Faz muita falta ao país um partido que tenha princípios duradouros e que represente a parcela da população que conhece (ainda que pouco) o funcionamento da economia, que saiba diferenciar entre histórias de sucesso e histórias de fracasso e, principalmente , que assuma  um dos  mais evidentes  princípios de economia :  não existe progresso sem aumento de produtividade e não existe melhoria da condição humana sem sua distribuição.



Uma Cartilha Para Alunos Aplicados

20/10/2016

O brasileiro reclama do seu país mas ninguém dá conta de suiço reclamando da Suiça ou belga reclamando da Bélgica.  É que o brasileiro não entende  das coisas e, por isso, reclama sem razão. É preciso informar melhor aos brasileiros. Por exemplo:


  • Dinheiro que transita pelos cofres públicos não é para ser gasto em investimentos ou despesas do interesse dos cidadãos. É para ser gasto com obras superfaturadas, com propaganda do governo ou com o pagamento de funcionários desnecessários. 
  •  Emprego público não é para suprir serviços à população. É para acomodar os parentes, amigos e partidários dos governantes e, principalmente, para reforçar, via dízimo, o caixa do partido.
  • Ministérios e seus órgãos não são para dotar o governo de uma estrutura adequada para governar. São para possibilitar ao governo distribuir cargos em troca de apoio político, o que é essencial para a governabilidade. 
  • Ter mérito não é nenhum mérito. O verdadeiro mérito está em pertencer a algum segmento minoritário do qual a sociedade tenha pena a ponto de justificar a sua inclusão em algum sistema de cotas ou programa social.
  • Sobriedade de hábitos, o que inclui trabalhar arduamente, gastar menos que o que se ganha  e ter menos filhos do que é possível criar, não vale para nós. Aqui o importante é ter muitos filhos (Deus dá, Deus cria) e habilitar-se como beneficiário de  beneses governamentais.
  • Trabalhar, aliás, não está com nada. Qualquer ponto em que um mendigo conseguir se estabelecer para pedir esmola rende mais que o salário de um operário não qualificado.  Alias, quem ainda não viu, pedindo esmola em um sinal de trânsito, um cego ou um aleijado em cadeira de rodas sendo conduzido por uma pessoa em perfeitas condições de trabalhar. Pois é, o Brasil é provavelmente o único país do mundo que tem  assessor de mendigo.
  • Só as pessoas desprendidas devem abrir seus próprios negócios. As pessoas precisam entender que o lucro é coisa do demônio e que o objetivo de qualquer empreendimento é propiciar benefícios aos empregados e pagar impostos. Além disso, só os idiotas podem pensar em reduzir o custo Brasil e aumentar a competitividade dos negócios. Isso não dá IBOPE para ninguém.  
  • A violência no Brasil não é nadinha maior que nos países de primeiro mundo. Nossa imprensa é sensacionalista e exagera muito. Isso transmite uma imagem distorcida tanto para os estrangeiros quanto para os próprios brasileiros. 
  • O mesmo pode ser dito com relação à corrupção. Nem a ex Presidente da República, com todo o acesso que tinha  à informação, conseguiu enxergar a dimensão da  corrupção do setor público. Funcionários corruptos, aliás, são induzidos ao mal por empresários gananciosos. Além disso, vários políticos e funcionários que já foram acusadas de corrupção continuam merecendo a confiança do governo. A prova da inocência dessas pessoas está no fato que não foram punidas.
  • Todos os males econômicos do Brasil são resultado de fatores externos, exceto os que são causados pela falta de escrúpulos dos nossos banqueiros.
  • O equilíbrio fiscal é sim necessário, porém, a cobertura de déficits pode perfeitamente ser feita com o aumento de impostos e aumento do endividamento. Redução de gastos, nem pensar. Aliás,  temos hoje reservas cambiais que em muito superam os endividamentos interno e externo do país. A inflação está sob controle e a recessão  é um fenômeno passageiro. Nosso futuro é brilhante. Não chegaremos jamais à humilhação que sofreu a Grécia. E se, como a Grécia, chegarmos à condição de insolvência, isso será devido à irresponsabilidade de credores internacionais. Mostraremos ao mundo a nossa condição de vítimas do capitalismo incontido e seremos devidamente resgatados.
  • O povo precisa entender que a chamada farra fiscal é uma opção política profundamente honesta daqueles que estão apenas criando privilégios para as camadas mais necessitadas da população. A austeridade só serve para prejudicar os mais pobres. 
  • Nomeações para o judiciário não são nomeações políticas como quaisquer outras. A importância dos tribunais é a moldagem das instituições  para a garantia da prevalência das verdades dogmáticas, livres de preconceitos opressores do conservadorismo. Imparcialidade, honorabilidade  e saber jurídico são fatores  positivos mas não são a essência da função. 
  • Fala-se muito em aparelhamento da máquina Estatal. . Para início de conversa, vale perguntar se alguém de sã consciência vai nomear adversários para os cargos de que dispõe?  Diz o ditame popular que  os chamados  'cachorros de ministro' vêm e vão, na medida em que mudam os governos, mas que  os chamados 'gatos de ministério' ficam.  Porque não cuidar tanto dos provisórios quanto dos permanentes? Porque não garantir a representatividade das forças do povo nos quadros permanentes de pessoal? Isso será útil para minar futuros governos elitistas. Afinal, a representatividade ideológica deve existir não só no legislativo mas em todos os segmentos da sociedade. 
  • Ainda sobre o aparelhamento da máquina, não se pode esquecer que os sindicatos são a melhor escola de treinamento  para o exercício de cargos públicos e diretorias de fundos de pensão.Por isto, precisam ser financiados com imposto específico.
  • Aumentar a produtividade e a competitividade, para um país de dimensões continentais e que tem um enorme mercado interno, não é uma prioridade relevante. A verdadeira prioridade está em criar mecanismos legais e programas sociais de distribuição da renda. Quanto à produção, basta garantir a proteção às empresas nacionais para que não sejam atropeladas por concorrentes estrangeiros. Todas as estatísticas comparativas de desempenho e competitividade entre países são feitas por entidades internacionais. Portanto, são de confiabilidade duvidosa.
  • O Brasil, em suma, continuará a ser  um país para todos e uma pátria educadora que prioriza a saúde ideológica sobre o  ensino  clássico e científico.