Tuesday, November 29, 2016

Por amor à causa




Há várias razões para o fracasso do socialismo. Inépcia da burocracia omnipresente e do planejamento centralizado, desmotivação, ausência da inovação, história de insucessos  etc.
Um elemento porém precisa ser destacado.
A história registra casos de grandes números de pessoas que morreram por amor a uma causa. Mas de pessoas que dedicaram uma vida ao trabalho por uma causa nobre, só de alguns poucos abnegados.

Parece mais fácil motivar as pessoas para atos de heroísmo em momentos de grande comoção cívica, religiosa ou social que para o comprometimento, a dedicação e a persistência na rotina inadequadamente remunerada, por mais nobre que seja a causa.



Saturday, November 26, 2016

Como somos e quem nos representa




UM ENREDO ASSSTADOR

O ENREDO ABAIXO PROCUROU SEGUIR A SEQUENCIA DOS ACONTECIMENTE NA MEDIDA EM QUE ELES  OCORRERAM NO TEMPO

ontem, 25/11/2016, o ministro Geddel Vieira pediu demissão por ter sido acusado pelo ex-ministroda Cultura Marcelo Caleiro de advocacia administrativa em benefício próprio.
A demissão de Geddel, entretanto, não é o fato mais espetaculoso até agora do amplamente discutido caso do pedido de liberação do gabarito de um prédio em Salvador, contra o posicionamento técnico do IPHAN. Caleiro, que também se demitiu poucos dias antes, em depoimento à Polícia Federal, afirmou que teria recebido pressão do próprio Presidente Temer para resolver o problema de Geddel. Agora, cogita-se até no impeachment de Temer.
Pois muito bem. A reação de Temer foi anunciar publicamente que availa vetar eventual anistia ao caixa 2, ato coletivo de advocacia administrativa que parlamentares estão empenhados em concretizar, também em benefício próprio. Segundo o Estado de São Paulo, "depois de sinalizar que sancionaria medida, se aprovada no Congresso, presidente recua para não contrariar 'vontade expressa por milhões de brasileiros'."Sob pressão é diferente, não é? Temer disse, também, que não fez mais que administrar o conflito entre dois ministros.
Mas a coisa não termina aí. O presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, conforme informa o Valor Econômico, "que o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) não usou o cargo para atuar em benefício pessoal. Para Jucá, Geddel estava "defendendo a Bahia, defendendo Salvador". Em outras palavras, somos todos idiotas e não entendemos o que está nas entrelinhas do fisiologismo.
Padilha também esta enrascado no caso e alguns juristas julgam que ele teria cometido advocacia administrativa.
Querem mais? Segundo Veja, o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), "reconheceu que o ministro errou ao levar ao governo federal um tema 'pequeno', 'paroquial', mas justificou que “todos somos falíveis”. Para Pauderney, Geddel cometeu uma 'falha humana' ao 'tratar de um assunto que não caberia', mas destacou... que temos problemas enormes no país para resolver."
Que horror!
Mas o horror maior não está nos fatos ocorridos mas no fato que dependemos de Michel Temer para fazer as reformas essenciais ao equilíbrio das contas públicas e para levar o país até as eleições de 2018. Não temos opção viável. Um transtorno institucional levaria o país a uma situação de caos cujo alcance não é possível visualizar. Qualquer brasileiro de boa fé e com algum bom senso é hoje personagem de uma tragédia, tragédia na ascepção exata do termo, que significa um conflito moral intenso e um destino fatal. Qualquer decisão entre ficar com Temer ou não é uma decisão trágica e imprevisível.
A condução desta crise mostra que natureza de Temer se soma a sua formação política. Ele, assim como a maioria dos principais políticos, são o espelho do que é o Brasil. Ele é um presidente que em quase tudo nos representa, representa a cultura de nosso povo e de nossas instituições.
Até a forma em que se deu desfecho do problema, com o pedido de demissão do ministro Geddel e não com sua demissão por iniciativa do presidente, depois de quase uma semana de tentativas de abafar a crise, demonstra a falta de firmeza de atitudes e a postura de Michel Temer como chefe de Estado. A narrativa de que é preciso ser conciliador com pessoas de dubiedade ética porque elas são importantes para a aprovação das reformas passa a ser balela no momento em que se identifica a corrupção explícita e pontual. Em episódios como este, nem num país eticamente frouxo como o Brasil pode-se abrir mão de agir com determinação e na hora certa.

O BRASIL É ASSIM MESMO

Mas será que devemos esperar a indignação dos brasileiros com esse episódio? Tudo indica que sim. Precisamos nos indignar. Mas de novo? Uma, duas, três indignações por mês, ano após ano? Até as pessoas mais exigentes e com o mais elevado grau de compostura acabam ficando insensíveis e anestesiadas pela rotina da esculhambação geral do país.
Geral significa geral mesmo. A esculhambação está presente de forma acentuada nas pessoas e nas instituições . Está presente na política, na administração pública, nas empresas estatais e privadas, na Educação, na Saúde, na segurança pública, etc. Está presente nos níveis federal, estadual e municipal.
Não se trata só de uma crise. Isso não é de hoje.
Parasitismo, corporativismo, fisiologismo, permissividade e incompetência estão produndamente enraizados em nossa formação.Desde sempre. Por outro lado, não nos damos muito bem com conceitos como ética, individualismo, meritocracia, desempenho, austeridade, competitividade, sucesso, comando, gestão, liderança, inovação, criatividade, diferença, motivação, talento. disciplina, organização,empreendedorismo, persistência, metas, dedicação, esforço, comprometimento e profissionalismo.
Convenhamos, não são marcantes entre nós as caracteristicas de um povo ou de instituições competentes e politicamente consequentes. Por outro lado, temos todas as manhas de um país culturalmente limitado.
Somos assim e ponto. Do jeito que somos, podem ser feitas mudanças e reformas para melhorar a conjuntura, para sair de cada crise ou até mesmo para evitar a próxima. Mas para o país enveredar pelo caminho sustentável do desenvolvimento econômico e social será preciso que mude a essência da cultura do nosso povo e de nossas instituições. Será preciso que as futuras gerações sejam substancialmente diferentes do que somos, livres da prevalência romântica, ideológica, fisiológica, parasitária e corporativista, e que tenham o juízo e a coragem para extirpar esses vícios das nossas instituições.
Talvez isso seja querer demais.
Precisamos nos conscientizar que os Temer, Sarney, Renan,Lula, Dilma, Cunha e outros são natos, hereditários e incorrigíveis

A RESPONSABILIDADE DAS PESSOAS DE BEM

Porém, no momento atual, das profundezas de nossa tragédia, temos a obrigação moral de assumir que dentre os males deve prevalecer o menor, e apoiar a condução do governo pelo presidente Temer até as próximas eleições e a permanência do país, sempre, dentro da normalidade institucional .

Tuesday, November 01, 2016

O parasitismo econômico no Brasil
O jornalista e historiador Laurentino Gomes teve o mérito de relatar, em linguagem atraente e acessível, três  importantes momentos da história de Brasil, 1808,  1822 e 1898. Com isso, angariou leitores de diversos segmentos da sociedade que pouco ou nenhum interesse teriam sobre o tema se não tivessem sido atraídos por curiosidade e pela perspectiva de uma leitura agradável. Graças a Laurentino Gomes, executivos, empresários, profissionais liberais e outros usufruíram do benefício de conhecer um pouco da história do país e de confirmar que a mentalidade do brasileiro, em alguns aspectos relevantes, mudou pouco com relação ao que era na primeira metade do século XIX.
Um desses aspectos, possivelmente o mais importante sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico e social, é o que trata das aspirações das pessoas. A corte, fugida de Portugal e trazida para o Brasil por D. João VI não tardou a demonstrar que tinha como principal aspiração mamar nas tetas do governo. E o governo, por sua vez, para custear as aspirações da ninhada, não hesitou em impor elevada carga de impostos, constranger o desenvolvimento dos negócios na colônia.
As colônias ibéricas no novo mundo já carregavam, por herança cultural e religiosa, o fardo representado por uma elite composta principalmente por funcionários públicos, latinistas, bacharéis e românticos das mais diversas modalidades, enquanto nas colônias anglo-saxônicas havia mais  técnicos, cientistas, engenheiros e, principalmente, empreendedores. A herança ibérica introduziu, ainda, por sedimentação de usos e costumes, uma categoria adicional: a dos oportunistas aproveitadores.
O entendimento que nos foi facilitado por Laurentino Gomes obviamente não explica tudo, mas nos ajuda a encontrar, em nossas raízes, uma parte importante dos porquês de sermos hoje um país eticamente relaxado, e com fortes tendências paternalistas, assistencialistas e fisiológicas,

Ficou mais fácil entender um pouco mais sobre a razão da sequência interminável de escândalos e a prevalência absoluta, nos meios de comunicação, de notícias relacionados com impunidade, corrupção, politicagem, violência, insuficiência e inadequação dos serviços públicos .
Ficou mais fácil também entender o porque do corporativismo generalizado das bolsas e das quotas e   da profunda  rejeição da meritocracia e da austeridade.

É possível destacar dois elementos que permitem sintetizar  as relações de causa e efeito da ascendência ibérica sobre a formação econômica do Brasil: primeiro a presença marcante  dos oportunistas aproveitadores e a sua consequência natural, o enraizamento do  parasitismo em nossos usos e costumes.  E segundo, tendo o parasitismo criado raízes, a consequência natural foi o estabelecimento do corporativismo como instrumento de proteção do parasitismo.

O parasitismo não é um conceito abstrato.

Parasita é um  termo forte e marcante, e pode ser um prato feito para  as patrulhas do politicamente correto.  Porém, não se trata do uso de um termo  impactante para obter efeito panfletários ou para compor discursos ideológicos. Ele  pode ser  definido em termos matemáticos e pode referir-se tanto uma pessoa, a uma instituição ou a um setor da economia como um todo.
Em todos os casos o parasitismo pode ser definido como um valor absoluto e em alguns casos também como um coeficiente.
O que caracteriza o parasitismo econômico é o mesmo que caracteriza o parasitismo biológico: um indivíduo suga alimentos (recursos) de outro para o seu próprio sustento (interesse). O indivíduo, no caso, do parasitismo econômico, pode ser um funcionário, um órgão público, uma ONG, uma empresa privada ou pública ou até mesmo um segmento inteiro da sociedade.
Quando um funcionário, por exemplo, produz menos que o seu custo (remuneração mais gastos diretos e indiretos), ele mantém uma relação parasitária com a sociedade. O valor absoluto desse parasitismo, em um determinado período, é dado matematicamente pelo valor do produto do trabalho do funcionário  menos o seu custo.  Obviamente, se o resultado dessa equação for positivo, não existe o parasitismo. Se for negativo, existe o parasitismo.
Essa equação pode ser adequada a várias situações.
Quando uma empresa pública ou privada,  detentora de privilégios de mercado (monopólio, concessionárias de serviços públicos) ,  entrega seus produtos ou serviços à sociedade a preços mais altos ou  qualidade inferior, quando comparados com a hipótese de ausência do  privilégio , ela mantém uma relação parasitária com a sociedade. O valor absoluto desse parasitismo pode ser medido pelo  valor recebido pela sociedade em  produtos e serviços menos o valor que seria recebido se a empresa não tivesse privilégios de mercado.
Vale lembrar aqui que o tipo específico de parasitismo de empresa se tornou fato corriqueiro no Brasil de hoje, em função da presença maciça da corrupção nas relações entre governo e empresas.
Também, quando uma empresa privada recebe subsídios e incentivos do governo e o retorno que dá a sociedade não supera os resultados que seriam obtidos sem artifícios, caracteriza-se o parasitismo.
E para fechar o ciclo de exemplos, quando o setor público como um todo retorna à população bens e serviços cujo valor é menor que o dos impostos arrecadados (líquidos de investimentos, serviço da dívida e outras obrigações), ele mantém uma relação parasitária com a sociedade como um todo.
Nesse caso específico, é interessante notar que o conceito do parasitismo como um índice pode ser um importante instrumento de análise econômica. Esse índice pode ser definido como 1 (hum) menos o coeficiente de eficiência do setor público, onde o  coeficiente de eficiência do setor público é igual ao valor dos serviços públicos prestados à população dividido pelo valor líquido da arrecadação tributária.
Em outras palavras, se o valor líquido da arrecadação tributária for igual a 100 e o valor dos serviços públicos prestados à população for igual a 40, Coeficiente de eficiência do setor público será de 40/100, ou 0,40. O índice de parasitismo do setor público será, neste caso, de 0,60.
Porém, para fazer justiça ao setor público, a fórmula precisa ser ajustada por um fator  que reflita uma diferença aceitável entre a produtividade do setor público e do setor privado. Isso porque, em nenhum país do mundo o setor público é padrão em matéria de produtividade. Alguma diferença é aceitável. O problema é que no Brasil essa diferença transcende os limites da razoabilidade.