Friday, March 09, 2018

A supremacia da aritmética (2)

É inacreditável que fuja ao alcance de alguns formadores de opinião  o fato que o limite da  convicção ideológica  é  a sua incompatibilidade com a aritmética.

É claro que não foge, esses caras não são burros. 

A preocupação desses senhores e senhoras com a imagem de humanistas e a com a aceitação pelos colegas no meio em que militam faz que, em suas cabeças, o romantismo, às vezes até rompante,  tenha supremacia sobre a racionalidade. Os religiosos alegam a supremacia do divino sobre o racional. Mas aí é que está . Esses ideólogos não alegam nada. Preferem se acobertar no fato de a economia não ser uma ciência exata nem imutável no tempo  para se darem a liberdade de dissociar completamente a ideologia da aritmética. E o que é pior,  se acham possuidores de compaixao e pouco se lixam para as consequências de suas idéias e atitudes. 
De fato, o método científico nem sempre é aplicado na economia política. Não se exige com rigor que os passos essenciais (observação, hipótese, experiência, lei e teoria) sejam necessariamente seguidos para se chegar a uma conclusão, e, com isso, qualquer nova matriz econômica pode ser proposta por qualquer governo que quizer deixar um legado de 11 trimestres de recessao e uma queda do PIB de quase 9% no mesmo período. Isso sem mencionar os 12 milhoes de desempregados. 
É criminoso, conforme destaca Stephen Kanitz,  fazer experiências econômicas com humanos. É  como uma postura de semideuses, que "nos matam por esporte".
Apesar de que a economia não é uma ciência exata e apesar de que algumas receitas do passado podem ter deixado de ser válidas,  alguns princípios são praticamente universais e tem vencido a prova do tempo.
Não de pode afirmar que esses princípios sejam inquestionáveis, porém,  não é possível aceitar questionamentos  de conteúdo exclusivamente ideológico. 



Dentre esses princípios, destacam-se:


  • Só o trabalho produz riquezas. 
  • Toda opção por um benefício resulta em um custo
  • Sem aumento da produtividade não se aumenta a renda per capita  e sem  a distribuição da produtividade  não se produz  a distribuição da renda.
  •   O lucro é o elemento propulsor do sistema.
  • Existe um limite ao endividamento (do Estado, da empresa e da família). Nenhuma unidade econômica consegue conviver por períodos prolongados com déficits. Isso resultaria  na sua incapacidade de cumprir compromissos  e de investir.
Vamos a cada um desses princípios
  • Só o trabalho produz riquezas. Não adianta espernear. 
    • Só há duas formas de  crescer:
      o   Aumentando o número de homens/hora trabalhados. Usando capacidade ociosa (crescimento imediato,  para atender o  aumento da demanda)
      o  Aumentando a produtividade.  Investindo no crescimento futuro, resultante do aumento da capacidade produtiva por indivíduo.
  • Toda opção por um benefício, seja no nível das famílias, das empresas e dos governos, gera um custo. Gasto vs. Poupança; não existe almoço de graça ; a cada conquista corresponde uma renúncia ; onde residem  a compaixão e a maldade?. Alguém por favor explique, a nós que temos alcance intelectual limitado, como fazer o omelete sem quebrar os ovos.
    • O termo ‘economia’ é usualmente definido nos livros de texto como a ciência da alocação de recursos escassos entre fins alternativos.  Essa definição não mudou com o tempo, mas há exemplos de casos em que a  mesma idéia foi expressa com palavras diferentes. O mais conhecido desses exemplos é a  frase do economista Milton Friedman: “não existe almoço de graça”.
    • Não há investimento sem poupança  ou sem aumento do endividamento. Se o investimento não for igual ou superior à depreciação dos ativos haverá descapitalização do país, da empresa ou do indivíduo. Se não for superior, não haverá crescimento da capacidade produtiva.Seria difícil encontrar uma frase mais perfeita para resumir para o leigo o funcionamento da economia, pois é uma frase fácil de lembrar e trás com ela a lembrança de fatos semelhantes:
    • Se gastamos mais com educação, saúde, alimentação, transporte e previdência, sem ter aumento de renda, temos que gastar menos com lazer;
    • Se tomamos emprestado temos que pagar;
    • Se uma empresa fizer um investimento ela terá que
    •                         tomar empréstimos ou  
    • solicitar mais recursos aos acionistas ou
      reduzir suas aplicações financeiras ou
      vender propriedades  ou
      Tomar mais de uma dessas providência.
      Se o governo, sem que esteja previsto um aumento suficiente  de receitas (impostos principalmente) decidir aumentar o número ou a remuneração de funcionários públicos, ele terá que:
    • Construir menos estradas ou conservar menos as já existentes ou
    • reduzir os gastos com educação ou saúde  ou saneamento básico ou programas sociais  ou qualquer outro tipo de serviço prestado à sociedade.
  • Em resumo, não existe almoço de graça nem para as pessoas físicas nem para as empresas e nem para os governos.
  • Em última análise, não há diferenças fundamentais na forma em que o funcionamento da economia condiciona e impõe limites às decisões tomadas nos âmbitos das famílias, das empresas e dos governos. 

  • Até pouco tempo atrás, grande parte dos formadores de opinião neste país eram de formação clássica, com percepção de aspectos empresariais, técnicos e científico inferior à dos formadores de opinião nos Estados Unidos, Europa e Japão. Não parece exagero dizer que algumas gerações ainda vivas tiveram sua maneira de pensar e agir altamente influenciada pelo romantismo de latinistas , bacharéis e ideólogos.

    Daí a crença, com a qual conviveram as gerações mais antigas ainda vivas, que governantes honestos, bem intencionados, academicamente bem preparados e determinados a colocar o interesse público acima dos interesses  pessoais seriam necessariamente bons governantes.  Também dessa mentalidade advinha a crença que as grandes diferenças sociais se resolveriam pelas boas intenções, uma vez que um país soberano podia não só deixar de cumprir contratos como podia emitir dinheiro. Podia, portanto, quase tudo.

    Vale ainda lembrar que as parcelas da população com níveis culturais baixos  tem uma dificuldade natural de entender que o governo, em termos de economia,  não pode tudo. Também,  essas parcelas da população tem sim alcance para perceber os efeitos imediatos de determinadas medidas, principalmente quando essas medidas  atingem  o seu bolso. 

  • Porém, não tem o alcance para perceber as conseqüências:  o seu efeito negativo sobre o crescimento e custo para as gerações futuras.
  • Só muito recentemente, a partir da última década do século XX,  para grande parte dos brasileiros, principalmente para os políticos, caiu a ficha do horror que seria  a volta da inflação de dois dígitos e do descrédito internacional do país.
    Mesmo assim,  ainda são muitos os que acreditam em  soluções mágicas e insistem  na busca por almoços de graça. Os programas sociais  de  doação de recursos sem a obrigação  (séria) de retorno por parte dos beneficiários é o melhor exemplo disso.  No curto prazo, o impulso na economia, causado pelo aumento de consumo, foi real. Mas não se pode esquecer que o subsídio é permanente, o gasto  é  renovável, e nem sempre o consumo é o combustível adequado para propulsionar a economia. Também não se pode esquecer que  a desobrigação do retorno é a gratuidade do almoço .
    Muitos ainda pregam o esoterismo econômico: a cura das doenças da sociedade através de remédios alternativos aplicados à economia. E dá no que dá.
    Também, a experiência verificada nos casos de sucesso e fracasso de indivíduos, empresas e países demonstra que o bom senso da aplicação de fórmulas consagradas  tem prevalecido sobre   o esoterismo econômico. Não existem exemplos de sucesso onde  práticas não ortodoxas foram  usadas de forma sistemática e  por longos períodos, Medidas como protecionismo exacerbado, estatização e ingerência em empresas públicas, resgate de empresas falidas, controle de preços, uso político dos controles cambiais e  da taxa de juros, subsídios, desonerações dirigidas e incentivos fiscais,  nunca levaram país algum ao rol dos  que apresentam os melhores índices crescimento e sustentabilidade.
    Quanto a empresas e indivíduos, que  não tem poderes soberanos,  o luxo de fazer  experiências exóticas normalmente resulta em insolvência.
  • existe um limite para o  mercado aceitar desaforos.  Esse limite se estabelece exatamente quando os princípios básicos são contrariados. EX. energia e juros no início de 2013. Chile e Venezuela, União Soviética, Coreita do Norte. É quando a produção de bens e serviços é substituída pela produção de filas para adquirir o pouco que resta nas prateleiras das lojas.   Nesses momentos, o discurso cativante e sedutor  cai por terra e até os populistas são obrigados, para evitar o desastre, aceitar a correção através do retorno ao bom senso. De nada adiantou a maria da Conceição Tavares chorar nem a outra  cantar emocionada o hino nacional  ou as donas de casa se transformarem em fiscais do Sarney quando foi lançado o plano de congelamento de preços pelo ministro Funaro em 19xx. Nada disso fez com que o boi aparecesse no pasto para ser laçado pelos fiscais. 
  • Gastos têm que  ser (ao longo do tempo) inferiores a receitas e  só existem cinco formas de aumentar gastos:   
    • Aumentando a receita    
    • Reduzindo outros gastos 
    • Aumentando o passivo (endividamento)
    • Reduzindo o ativo (vendendo bens ou direitos)
    • Criando moeda , ao que só o governo tem acesso.
      Todas  as cinco formas tem sua contrapartida de sacrifício. Daí a consagrada expressão  “não              existe almoço de graça”.
       A continuidade  de déficits   gera:
o   Nas famílias e nas empresa, a insolvência.
o   No governo, o parasitismo das gerações atuais com relação às gerações futuras.
·       
·       



  •      Só o trabalho constrói.  
      produtividade e o custo relativo do trabalho  são os principais  fatores chave de sucesso para o indivíduo, para  a empresa e para o país.
·       Gastos têm que  ser (ao longo do tempo) inferiores a receitas e  só existem cinco formas de aumentar gastos:
o   Aumentando a receita;
o   Reduzindo outros gastos;
o   Aumentando o passivo (endividando);
o   Reduzindo o ativo (vendendo bens ou direitos)
o   Criando moeda , ao que só o governo tem acesso.
Todas  as cinco formas tem sua contrapartida de sacrifício. Daí a consagrada expressão  “não existe almoço de graça”.
·       A continuidade  de déficits   gera:
o   Nas famílias e nas empresa, a insolvência.
o   No governo, o parasitismo das gerações atuais com relação às gerações futuras.
·       Só há duas formas de  crescer:
o   Usando capacidade ociosa (crescimento imediato,  para atender o  aumento da demanda)
o   Investindo (crescimento futuro, resultante do aumento da capacidade produtiva)
·       Não há investimento sem poupança  ou sem aumento do endividamento.
·       Se o investimento não for igual ou superior à depreciação dos ativos haverá descapitalização do país, da empresa ou do indivíduo. Se não for superior, não haverá crescimento da capacidade produtiva.

·       O lucro é essencial. A empresa continuamente  deficitária  não poderá pagar  empregados, fornecedores, financiadores, acionistas, impostos etc  .Exceto se se  seus déficits forem cobertos pelo governo.

·       O número de filhos não deve ser maior que o que os recursos dos país  permite, assim como o crescimento da população não deve ser maior que o crescimento da economia, sob pena de redução da renda per capita. A concentração do crescimento da população nas classes de baixa renda gera a necessidade de maiores gastos sociais no futuro e a perspectiva de menor produtividade da mão de obra.
·       A competitividade é função de: marca comercial, qualidade, custo, invenção e inovação tecnológica (gestão, investimento, produtividade, infraestrutura)
·       Demanda maior que oferta gera aumento de preço e vice versa. Não se combate inflação com juros baixos e expansão da oferta de moeda e de crédito.
·       Receita do governo (endividamento não considerado)  = carga tributária = gastos mais investimentos públicos
o   Mais gastos => menos investimentos.
o   Governo maior=> investimento menor.
o   D carga tributária => menor investimento.
o   No âmbito do país, o aumento da carga tributária ou  da dívida pública.
·       A cobertura de déficit s pelo governo normalmente implica em  uma relação parasitária entre a entidade deficitária e  a sociedade via:
o   socialização de prejuízos   (resgate de empresas e absorção de perdas pelo Estado),
o    empréstimos de bancos estatais  com alto risco,
o   estatização.
·       O crescimento da demanda, sem o correspondente crescimento da oferta ou a utilização de capacidade ociosa. é inflacionário.
·       A inflação só é controlável com o aumento dos juros e a contenção da oferta de moeda. A contenção do crédito é parte primordial da contenção da oferta de moeda.
·       A indexação realimenta a inflação.
·       Governo não tem juízo. Considerações sobre investimento.
o   D  intervenção estatal, mudança freqüentes nas regras do jogo, desrespeito a contratos  => menor atração de investimentos, principalmente os estrangeiros. .
o    

o   Mais gastos do governo  => menos investimentos ou maior carga tributária.
o   Portanto, em princípio, quanto maior o governo, menor a possibilidade  de crescimento futuro da economia (dadas as limitações ao aumento dos passivos e da carga tributária)  ??
o   Obs: o aumento da carga tributária, além de ter limite, é, por si só, um fator de redução dos investimentos privados
o   Os investimentos privados, tanto nacionais quanto estrangeiros, por sua vez, são função das expectativas de comportamento futuro da economia, o que está intimamente ligado à racionalidade e coerência das medidas tomadas pelo governo.
·       Em economia, não existe otimismo nem pessimismo. Se o que está sendo feito no presente  é sensato, pode-se esperar bons resultados futuros e vice versa. Esse princípio, obviamente, pode ser afetado por grandes calamidades ou por fatores externos de materialidade maior que as ocorrências internas.
·       Em linguagem popular: não existe almoço de graça.
·       Medidas como protecionismo, estatização e ingerência em empresas públicas, resgate de empresas falidas, controle de preços, uso político dos controles da taxa de juros e da oferta de moeda, subsídios, incentivos fiscais, e uma infinidade de outros “instrumentos de política econômica” formam um receituário muito mais adequado ao que é tratado nos   Best Sellers de auto ajuda que nos compêndios de Economia Política. E o que é pior, resultam em mais burocracia, mais cargos públicos, mais medidas reguladoras, normas, procedimentos etc., ou seja, mais gastos, mais corrupção e, se a sociedade não ficar atenta, mais impostos.
·       O esoterismo econômico equivale ao esoterismo das terapias médicas alternativas. Remédios florais realmente tem pouco ou nenhum efeito adverso, porém não há comprovação de sua eficácia terapêutica. Já as medidas populistas e intervenções não ortodoxas na economia tem sérios efeitos colaterais apesar de aparentarem, à primeira vista, favoráveis aos interesses da sociedade.
·       Os empresários cobram protecionismo, que evita a preferência do consumidor pelo produto importado mas que acaba tornando a empresa nacional menos competitiva. O mesmo ocorre no caso de resgates de empresas falidas: evita-se, de imediato, o desemprego, porém, gasta se mal o dinheiro público salgando carne podre e protegendo a incompetência. O grande público, que aplaude esse tipo de medida, não tem alcance para entender  que  o mercado quase que automaticamente substitui o falido por um indivíduo mais apto. Vale lembrar a Cimetal,  a  Varig e as demissões de bancários causadas pelo  plano cruzado .
·       Subsídios, protecionismo,  incentivos fiscais e creditícios  tendem a resultar em empresas de baixa competitividade.   
·       As deficiências de infraestrutura, portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, comunicações também resultam em restrições à competitividade das empresas.
·       Déficits nas contas externas (comercial e de serviços) gera endividamento externo ou redução das reservas cambiais.
·        

Wednesday, March 07, 2018

A Supremacia da aritmética (1)

"... não é preciso um fantasma sair da cova pra nos dizer isso, meu senhor."

Com envelhecimento da população, Brasil precisa aumentar produtividade para impulsionar economia, diz Banco Mundial. Conclusão consta do relatório "Emprego e Crescimento - A agenda da produtividade". Aumento da produtividade não significa fazer pessoas trabalharem mais, enfatiza instituição. Por Flávia Foreque, TV Globo, Brasília, 07/03/2018. .A conclusão consta do relatório "Emprego e Crescimento - A agenda da produtividade", apresentado em um evento organizado pela Casa Civil."Isso [aumento da produtividade] não significa fazer as pessoas trabalharem mais horas, mas [sim] usar os recursos com mais eficiência", afirmou Mark Dutz, economista-chefe do Banco Mundial."O mais importante é usar de forma mais eficiente os recursos do Brasil", acrescentou.Na avaliação do banco, isso passa por melhorar a qualidade da gestão, garantir a manutenção adequada de equipamentos e usar a tecnologia disponível.Segundo o Banco Mundial, nos últimos 20 anos, o crescimento econômico do Brasil foi impulsionado, principalmente, pelo ingresso de mais trabalhadores no mercado - entre 1996 e 2014, o total de trabalhadores passou de 72 milhões para 106 milhões.Mas, ainda de acordo com a instituição, a população está envelhecendo e, com isso, a proporção de pessoas em idade ativa está diminuindo. Por isso, diz o banco, o Brasil precisa de um novo "motor" para a economia.Agenda de retomada econômicaPara o Brasil conseguir aumentar produtividade, o Banco Mundial defende uma agenda com quatro medidas:Reforma tributária "ampla";Melhoraria na coordenação e avaliação de políticas públicas;Extinção de subsídios "ineficazes";Promoção da abertura de mercado, permitindo maiores trocas comerciais com o exterior e entre empresários do próprio país."As restrições ao comércio internacional são particularmente grandes no Brasil. As barreiras à concorrência externa impedem que o Brasil aprenda dos melhores do mundo", diz Mark Dutz."As ineficiências do Brasil são tão grande e custam tão caro que os resultados das mudanças superariam em muito as perdas para determinados grupos", acrescentou o economista do Banco Mundial.Entre os motivos apontados no estudo para o atual quadro de produtividade estão fatores como taxas de juros altas; sistema de impostos "complexo e oneroso"; baixa qualidade do sistema educacional; e infraestrutura inadequada.De acordo com o relatório, nas últimas duas décadas, o investimento em infraestrutura no Brasil foi menor do que a taxa de depreciação natural, "reduzindo, portanto, o estoque de infraestrutura".Ascensão socialOs economistas do Banco Mundial alegam que a abertura do mercado brasileiro terá efeito prático na vida da população. Isso porque, ao aumentar a concorrência e permitir a redução do preço de mercadorias consumidas pela população de mais baixa renda (como alimentos e vestuário), a redução de barreiras ao comércio poderá tirar quase 6 milhões de pessoas da pobreza, criando aproximadamente 400 mil empregos.O cálculo é feito considerando a linha da pobreza equivalente a US$ 5,50 por dia, na paridade do poder de compra de 2011.Produtividade agrícolaO relatório do Banco Mundial aponta, ainda, um contraponto ao atual cenário de produtividade no país: a inovação na agricultura."A título de ilustração, antes da década de 1970 o Brasil produzia quantidades insignificantes de soja; hoje, o país exporta oitenta vezes mais do que há quarenta anos, e é o maior exportador do mundo (os Estados Unidos permanecem como os maiores produtores)", diz o documento.O texto atribui o crescdimento da produtividade agrícola ao aumento do uso de insumos e adoção de novas tecnologias. Além disso, elogia políticas públicas para o setor focadas na pesquisa e na educação agrícola.O Banco Mundial, entretanto, faz um alerta: afirma que as pastagens do país estão "cada vez mais degradadas" e com solos "esgotados pela monocultura"."Com base em pesquisas agrícolas de ponta realizadas com recursos públicos, os produtores brasileiros desenvolveram tecnologias que, se amplamente implantadas, possibilitarão ao Brasil dobrar (no mínimo) a sua produção, sem a necessidade de reduzir ainda mais os recursos florestais brasileiros, de suma importância para todo o planeta", diz o texto.
Abertura comercial tiraria 6 milhões de brasileiros da pobreza, diz Banco Mundial10:40 | 07/03/20180FacebookTwitterGoogle+Perto de seis milhões de brasileiros poderiam sair da linha da pobreza, se o Brasil abrisse mais sua economia e, a partir daí, disparasse um processo de ganho de produtividade nas empresas e nos trabalhadores. O Produto Interno Bruto (PIB) poderia ter um incremento de 1% e seriam abertas aproximadamente 400.000 novas vagas de trabalho. Esse é o resultado de uma simulação incluída no relatório "Emprego e Crescimento: A Agenda da Produtividade", divulgado nesta quarta-feira, 7, pelo Banco Mundial.Coordenador do relatório, o economista-chefe de Macroeconomia, Finança e Investimento do organismo, Mark Dutz, disse que um compromisso firme de abertura comercial, que fosse anunciado com antecedência e com um cronograma de desgravação, poderia funcionar como uma espécie de âncora para governo e empresas adotarem mudanças para viver em um ambiente de maior competição. Esse sinal ajudaria a vencer resistências, acredita ele.
No caso, ele calculou os efeitos de um corte de 50% nas tarifas de importação de produtos de fora do Mercosul e a eliminação das barreiras ao comércio dentro do próprio bloco. Com isso, as exportações teriam um incremento de 7,5% e as importações, de 6,6%.
Mas, para dar suporte a essa abertura, seria necessário implantar toda uma agenda de reformas voltadas ao aumento da produtividade que o País vem adiando há décadas: simplificar radicalmente o sistema tributário, rever incentivos fiscais, cortar subsídios, aumentar a competição na economia e no sistema financeiro, melhorar a educação e a formação de trabalhadores, melhorar a gestão do aparelho estatal. Ao mesmo tempo, as empresas precisariam tornar-se mais produtivas, adotar novas tecnologias e buscar integração nas cadeias globais de valor - como faz, por exemplo, a Embraer.
O relatório admite que a abertura, aliada ao impacto das novas tecnologias, pode resultar na perda de empregos em alguns setores, empresas e regiões. Trabalhadores precisariam ser treinados e realocados. No agregado, porém, não haveria aumento de desigualdade. Pelo contrário, a expectativa é que sejam criados novos empregos, compensando com excesso aqueles que serão perdidos.
A alternativa a não trilhar por essa agenda politicamente complicada é pior. O relatório mostra que, se nada for feito, o potencial de crescimento da economia brasileira será decrescente ao longo do tempo. De perto de 2% este ano, ele encolherá para 1,3% em 2030. Os ganhos sociais vistos no início deste século seriam revertidos.
Isso se explica pelo fim do chamado bônus demográfico, que impulsionou o ingresso de novos trabalhadores no mercado. Esse processo representou crescimento econômico dos últimos anos. No entanto, a população brasileira envelheceu e esse benefício está próximo do fim.
"O Brasil precisa de outro motor para melhorar seus resultados sociais", disse Dutz. O melhor instrumento, defendeu, é o aumento da produtividade. "Não se trata de trabalhar mais, mas de aproveitar com mais eficiência os recursos que já tem." Nos últimos vinte anos, a produtividade no Brasil foi decrescente.
Se a produtividade evoluísse agora no mesmo ritmo visto nos anos 1960 e 1970, o Brasil poderia crescer 4,5% ao ano. Se o País fosse tão produtivo como os Estados Unidos, a renda per capita nacional poderia ser três vezes maior.

Em meus blogs anteriores eu já batia nesses pontos, assim como muito antes de mim muitos  outros autores já tinham um diagnóstico preciso dessa situação.O fato é que desde 22 de abril de 1500 evoluímos muito pouco. Tivemos pequenos períodos de melhor desempenho, como aponta o BIRD, mas foram esporádicos. Somos um país de baixa produtividade, pessíma distribuição de renda e continuamos subdesenvolvidos como sempre. País em desenvolvimento tem sido prosa dos politicamente corretos. Para qualquer tentativa de revolucionar o crescimento e a distribuição de renda no país temos que partir do diagnóstico frio e cruel que somos um país de perdedores e que para mudar isso temos que ser racionais e contundentes, não humanistas bonzinhos upright heart and pure, cheios de compaixão e imobilizados pelo medo, este sim, de impopularidade e de não aceitação pelos grupos corporativos a que pertencemo.Me asusta produndamente quando  "intelectuais" ou políticos formadores de opinião embarcam na canoa do ufanismo irresponsável. Caetano Veloso, por exemplo, que obteve essa condição como bom artista que é e não como estudioso de econômica política, que nunca fez carreira como profissional tecnico, executivo ou político, diz em entrevista que o Brasil tem medo de brilhar. Baseado em que Sr. Caetano? Conte pra gente como vamos brilhar se nos posicionamos sempre na rabeira do mundo.A partir de quando estaremos em disputas pelas primeiras posições ou por prêmios  Nobel. Que deveremos ter feito até lá. Como Ciro Gomes e Mangabeira Unger vão contribuir para essa efeméride. (seja explícito e preciso, por favor não generalize). 

Alguns aspectos da demografia no Brasil.
Taxas de fecundidade total segundo as grandes regiões - 2010 
Grandes Regiões Taxa de fecundidade total
Até 1/4 Mais de 1/4 a 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5
Brasil 3.9 2.67 1.88 1.3 1.1 1.07 0.97
Norte 4.42 2.81 1.89 1.53 1.29 1.42 1.17
Nordeste 3.63 2.23 1.5 1.21 1.11 1.15 1.05
Sudeste 4.09 2.89 1.95 1.26 1.03 0.98 0.97
Sul 4.51 3.23 2.26 1.43 1.02 0.99 0.96
Centro-Oeste 4.33 3.08 2.17 1.35 1.34 1.14 0.96
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.
Taxa de fecundidade total, por nível de instrução das mulheres, segundo as grandes regiões  -  2000-2010
Grandes Regiões Taxa de fecundidade total
Sem instrução e fundamental incompleto Fundamental completo e médio imcompleto Médio completo e superior imcompleto Superior completo
2000 2010 2000 2010 2000 2010 2000 2010
Brasil 3.43 3.09 2.25 2.54 1.46 1.34 1.13 1.14
Norte 4.23 3.67 2.5 2.76 1.73 1.52 1.3 1.36
Nordeste 3.65 3.12 1.94 2.33 1.48 1.38 1.14 1.24
Sudeste 3.16 2.69 2.22 2.16 1.42 1.29 1.1 1.1
Sul 3.17 2.84 2.21 2.46 1.44 1.32 1.13 1.15
Centro-Oeste 3.1 2.96 2.3 2.55 1.51 1.44 1.3 1.22
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.



Taxa de fecundidade total, por situação do domicílio, segundo as Grandes Regiões – 2000/2010

Taxa de fecundidade total
Diferenças relativas 2000-2010 (%)
Grandes Regiões
2000
2010
Total
Urbana
Rural
Total
Urbana
Rural
Total
Urbana
Rural
Brasil
2.38
2.18
3.49
1.9
1.79
2.63
-20.2

-17.9

-24.6
Norte
3.16
2.71
3.83
2.47
2.21
3.43
-21.8
-18.5
-10.4
Nordeste
2.69
2.32
3.81
2.06
1.89
2.65
-23.4
-18.5
-30.4
Sudeste
2.1
2.02
2.92
1.7
1.67
2.24
-19
-17.3
-23.3
Sul
2.24
2.14
2.75
1.78
1.72
2.2
-20.5
-19.6
-20
Centro-Oeste
2.25
2.18
2.88
1.92
1.85
2.67
-14.7
-15.1
-7.3
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.



Aquardamos o senso de 2020 para atualizar.