Wednesday, March 07, 2018

A Supremacia da aritmética (1)

"... não é preciso um fantasma sair da cova pra nos dizer isso, meu senhor."

Com envelhecimento da população, Brasil precisa aumentar produtividade para impulsionar economia, diz Banco Mundial. Conclusão consta do relatório "Emprego e Crescimento - A agenda da produtividade". Aumento da produtividade não significa fazer pessoas trabalharem mais, enfatiza instituição. Por Flávia Foreque, TV Globo, Brasília, 07/03/2018. .A conclusão consta do relatório "Emprego e Crescimento - A agenda da produtividade", apresentado em um evento organizado pela Casa Civil."Isso [aumento da produtividade] não significa fazer as pessoas trabalharem mais horas, mas [sim] usar os recursos com mais eficiência", afirmou Mark Dutz, economista-chefe do Banco Mundial."O mais importante é usar de forma mais eficiente os recursos do Brasil", acrescentou.Na avaliação do banco, isso passa por melhorar a qualidade da gestão, garantir a manutenção adequada de equipamentos e usar a tecnologia disponível.Segundo o Banco Mundial, nos últimos 20 anos, o crescimento econômico do Brasil foi impulsionado, principalmente, pelo ingresso de mais trabalhadores no mercado - entre 1996 e 2014, o total de trabalhadores passou de 72 milhões para 106 milhões.Mas, ainda de acordo com a instituição, a população está envelhecendo e, com isso, a proporção de pessoas em idade ativa está diminuindo. Por isso, diz o banco, o Brasil precisa de um novo "motor" para a economia.Agenda de retomada econômicaPara o Brasil conseguir aumentar produtividade, o Banco Mundial defende uma agenda com quatro medidas:Reforma tributária "ampla";Melhoraria na coordenação e avaliação de políticas públicas;Extinção de subsídios "ineficazes";Promoção da abertura de mercado, permitindo maiores trocas comerciais com o exterior e entre empresários do próprio país."As restrições ao comércio internacional são particularmente grandes no Brasil. As barreiras à concorrência externa impedem que o Brasil aprenda dos melhores do mundo", diz Mark Dutz."As ineficiências do Brasil são tão grande e custam tão caro que os resultados das mudanças superariam em muito as perdas para determinados grupos", acrescentou o economista do Banco Mundial.Entre os motivos apontados no estudo para o atual quadro de produtividade estão fatores como taxas de juros altas; sistema de impostos "complexo e oneroso"; baixa qualidade do sistema educacional; e infraestrutura inadequada.De acordo com o relatório, nas últimas duas décadas, o investimento em infraestrutura no Brasil foi menor do que a taxa de depreciação natural, "reduzindo, portanto, o estoque de infraestrutura".Ascensão socialOs economistas do Banco Mundial alegam que a abertura do mercado brasileiro terá efeito prático na vida da população. Isso porque, ao aumentar a concorrência e permitir a redução do preço de mercadorias consumidas pela população de mais baixa renda (como alimentos e vestuário), a redução de barreiras ao comércio poderá tirar quase 6 milhões de pessoas da pobreza, criando aproximadamente 400 mil empregos.O cálculo é feito considerando a linha da pobreza equivalente a US$ 5,50 por dia, na paridade do poder de compra de 2011.Produtividade agrícolaO relatório do Banco Mundial aponta, ainda, um contraponto ao atual cenário de produtividade no país: a inovação na agricultura."A título de ilustração, antes da década de 1970 o Brasil produzia quantidades insignificantes de soja; hoje, o país exporta oitenta vezes mais do que há quarenta anos, e é o maior exportador do mundo (os Estados Unidos permanecem como os maiores produtores)", diz o documento.O texto atribui o crescdimento da produtividade agrícola ao aumento do uso de insumos e adoção de novas tecnologias. Além disso, elogia políticas públicas para o setor focadas na pesquisa e na educação agrícola.O Banco Mundial, entretanto, faz um alerta: afirma que as pastagens do país estão "cada vez mais degradadas" e com solos "esgotados pela monocultura"."Com base em pesquisas agrícolas de ponta realizadas com recursos públicos, os produtores brasileiros desenvolveram tecnologias que, se amplamente implantadas, possibilitarão ao Brasil dobrar (no mínimo) a sua produção, sem a necessidade de reduzir ainda mais os recursos florestais brasileiros, de suma importância para todo o planeta", diz o texto.
Abertura comercial tiraria 6 milhões de brasileiros da pobreza, diz Banco Mundial10:40 | 07/03/20180FacebookTwitterGoogle+Perto de seis milhões de brasileiros poderiam sair da linha da pobreza, se o Brasil abrisse mais sua economia e, a partir daí, disparasse um processo de ganho de produtividade nas empresas e nos trabalhadores. O Produto Interno Bruto (PIB) poderia ter um incremento de 1% e seriam abertas aproximadamente 400.000 novas vagas de trabalho. Esse é o resultado de uma simulação incluída no relatório "Emprego e Crescimento: A Agenda da Produtividade", divulgado nesta quarta-feira, 7, pelo Banco Mundial.Coordenador do relatório, o economista-chefe de Macroeconomia, Finança e Investimento do organismo, Mark Dutz, disse que um compromisso firme de abertura comercial, que fosse anunciado com antecedência e com um cronograma de desgravação, poderia funcionar como uma espécie de âncora para governo e empresas adotarem mudanças para viver em um ambiente de maior competição. Esse sinal ajudaria a vencer resistências, acredita ele.
No caso, ele calculou os efeitos de um corte de 50% nas tarifas de importação de produtos de fora do Mercosul e a eliminação das barreiras ao comércio dentro do próprio bloco. Com isso, as exportações teriam um incremento de 7,5% e as importações, de 6,6%.
Mas, para dar suporte a essa abertura, seria necessário implantar toda uma agenda de reformas voltadas ao aumento da produtividade que o País vem adiando há décadas: simplificar radicalmente o sistema tributário, rever incentivos fiscais, cortar subsídios, aumentar a competição na economia e no sistema financeiro, melhorar a educação e a formação de trabalhadores, melhorar a gestão do aparelho estatal. Ao mesmo tempo, as empresas precisariam tornar-se mais produtivas, adotar novas tecnologias e buscar integração nas cadeias globais de valor - como faz, por exemplo, a Embraer.
O relatório admite que a abertura, aliada ao impacto das novas tecnologias, pode resultar na perda de empregos em alguns setores, empresas e regiões. Trabalhadores precisariam ser treinados e realocados. No agregado, porém, não haveria aumento de desigualdade. Pelo contrário, a expectativa é que sejam criados novos empregos, compensando com excesso aqueles que serão perdidos.
A alternativa a não trilhar por essa agenda politicamente complicada é pior. O relatório mostra que, se nada for feito, o potencial de crescimento da economia brasileira será decrescente ao longo do tempo. De perto de 2% este ano, ele encolherá para 1,3% em 2030. Os ganhos sociais vistos no início deste século seriam revertidos.
Isso se explica pelo fim do chamado bônus demográfico, que impulsionou o ingresso de novos trabalhadores no mercado. Esse processo representou crescimento econômico dos últimos anos. No entanto, a população brasileira envelheceu e esse benefício está próximo do fim.
"O Brasil precisa de outro motor para melhorar seus resultados sociais", disse Dutz. O melhor instrumento, defendeu, é o aumento da produtividade. "Não se trata de trabalhar mais, mas de aproveitar com mais eficiência os recursos que já tem." Nos últimos vinte anos, a produtividade no Brasil foi decrescente.
Se a produtividade evoluísse agora no mesmo ritmo visto nos anos 1960 e 1970, o Brasil poderia crescer 4,5% ao ano. Se o País fosse tão produtivo como os Estados Unidos, a renda per capita nacional poderia ser três vezes maior.

Em meus blogs anteriores eu já batia nesses pontos, assim como muito antes de mim muitos  outros autores já tinham um diagnóstico preciso dessa situação.O fato é que desde 22 de abril de 1500 evoluímos muito pouco. Tivemos pequenos períodos de melhor desempenho, como aponta o BIRD, mas foram esporádicos. Somos um país de baixa produtividade, pessíma distribuição de renda e continuamos subdesenvolvidos como sempre. País em desenvolvimento tem sido prosa dos politicamente corretos. Para qualquer tentativa de revolucionar o crescimento e a distribuição de renda no país temos que partir do diagnóstico frio e cruel que somos um país de perdedores e que para mudar isso temos que ser racionais e contundentes, não humanistas bonzinhos upright heart and pure, cheios de compaixão e imobilizados pelo medo, este sim, de impopularidade e de não aceitação pelos grupos corporativos a que pertencemo.Me asusta produndamente quando  "intelectuais" ou políticos formadores de opinião embarcam na canoa do ufanismo irresponsável. Caetano Veloso, por exemplo, que obteve essa condição como bom artista que é e não como estudioso de econômica política, que nunca fez carreira como profissional tecnico, executivo ou político, diz em entrevista que o Brasil tem medo de brilhar. Baseado em que Sr. Caetano? Conte pra gente como vamos brilhar se nos posicionamos sempre na rabeira do mundo.A partir de quando estaremos em disputas pelas primeiras posições ou por prêmios  Nobel. Que deveremos ter feito até lá. Como Ciro Gomes e Mangabeira Unger vão contribuir para essa efeméride. (seja explícito e preciso, por favor não generalize). 

Alguns aspectos da demografia no Brasil.
Taxas de fecundidade total segundo as grandes regiões - 2010 
Grandes Regiões Taxa de fecundidade total
Até 1/4 Mais de 1/4 a 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5
Brasil 3.9 2.67 1.88 1.3 1.1 1.07 0.97
Norte 4.42 2.81 1.89 1.53 1.29 1.42 1.17
Nordeste 3.63 2.23 1.5 1.21 1.11 1.15 1.05
Sudeste 4.09 2.89 1.95 1.26 1.03 0.98 0.97
Sul 4.51 3.23 2.26 1.43 1.02 0.99 0.96
Centro-Oeste 4.33 3.08 2.17 1.35 1.34 1.14 0.96
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.
Taxa de fecundidade total, por nível de instrução das mulheres, segundo as grandes regiões  -  2000-2010
Grandes Regiões Taxa de fecundidade total
Sem instrução e fundamental incompleto Fundamental completo e médio imcompleto Médio completo e superior imcompleto Superior completo
2000 2010 2000 2010 2000 2010 2000 2010
Brasil 3.43 3.09 2.25 2.54 1.46 1.34 1.13 1.14
Norte 4.23 3.67 2.5 2.76 1.73 1.52 1.3 1.36
Nordeste 3.65 3.12 1.94 2.33 1.48 1.38 1.14 1.24
Sudeste 3.16 2.69 2.22 2.16 1.42 1.29 1.1 1.1
Sul 3.17 2.84 2.21 2.46 1.44 1.32 1.13 1.15
Centro-Oeste 3.1 2.96 2.3 2.55 1.51 1.44 1.3 1.22
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.



Taxa de fecundidade total, por situação do domicílio, segundo as Grandes Regiões – 2000/2010

Taxa de fecundidade total
Diferenças relativas 2000-2010 (%)
Grandes Regiões
2000
2010
Total
Urbana
Rural
Total
Urbana
Rural
Total
Urbana
Rural
Brasil
2.38
2.18
3.49
1.9
1.79
2.63
-20.2

-17.9

-24.6
Norte
3.16
2.71
3.83
2.47
2.21
3.43
-21.8
-18.5
-10.4
Nordeste
2.69
2.32
3.81
2.06
1.89
2.65
-23.4
-18.5
-30.4
Sudeste
2.1
2.02
2.92
1.7
1.67
2.24
-19
-17.3
-23.3
Sul
2.24
2.14
2.75
1.78
1.72
2.2
-20.5
-19.6
-20
Centro-Oeste
2.25
2.18
2.88
1.92
1.85
2.67
-14.7
-15.1
-7.3
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000/2010.



Aquardamos o senso de 2020 para atualizar.








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