02/02/2017, foi um dia especial.
Fachim relator da lava-jato, Eunício presidente do senado e Maia da cãmara.Mais uma vez temos os presidentes das duas casas encalacrados com a justiça.
E Temer, que está fazendo um bom govenno na área econômica, continua sendo Temer no fisiologismo. Este é o Brasil com o qual estamos destinados a conviver. Forever? Ele assinou medida provisória que recria dois ministérios e dá novas atribuições à pasta da Justiça, que passa a se chamar Ministério da Justiça e da Segurança Pública e nomeou Moreira Franco, atual secretário executivo do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), para o cargo. Com isso, Moreira, que tem seu nome envolvido em investigações na Operação Lava Jato, ganha foro privilegiado.
Thursday, February 02, 2017
Sunday, January 22, 2017
O grande visionário
Já em 1798
Thomas Malthus nos alertava que o crescimento incontido da população resultaria
em um grande desastre.
Se Malthus estava errado com relação à consequência específica do problema, ele acertou o alvo ao indicar a demografia como o
maior problema da civilização.
O aumento
da produtividade agrícola e do agronegócio (o único segmento econômico em que o
Brasil se destaca) de fato restringiu a ocorrência da fome e da desnutrição
generalizadas a algumas das áreas mais pobres do planeta. Porém, Malthus acertou em cheio ao prever a
dimensão catastrófica das consequências do fato que o crescimento populacional segue um padrão geométrico, aumentando sempre
a base de cálculo sobre a qual a taxa de crescimento se aplica. Para quem não
tem familiaridade com este conceito, é a mesma coisa que juros sobre juros. 3%
ao mês equivale a 42,58% ao ano e não
apenas a 36%.
O mais
grave de tudo é que as taxas de crescimento tem sido maiores, me parece que por
razões óbvias, entre as camadas menos esclarecidas e mais pobres da população.
Isso, por consequência, leva a um denominador
sempre maior na medição dos resultados per capita dos programas sociais.
A grande
maioria dos problemas que afligem o planeta no século XXI tem, em maior ou
menor grau, origem no fenômeno da superpopulação: a deterioração do meio ambiente, o crescimento do crime e da violência, a
crescente dificuldade do combate ao uso de drogas e ao crime organizado, a explosão
populacional das favelas e ghettos (agora se tornando problemas também no
primeiro mundo), a ameaça do terrorismo
contra a civilização ocidental, a
imigração ilegal e a progressiva ocupação da Europa pelo islamismo, o populismo
de esquerda no terceiro mundo e o aumento desproporcional da demanda por recursos para a seguridade social.
Independentemente de fatos e lógicas, tenho para mim que as pessoas estão ficando piores. Não me parece ser um sentimento só meu. Tenho ouvido isso por aí.
Independentemente de fatos e lógicas, tenho para mim que as pessoas estão ficando piores. Não me parece ser um sentimento só meu. Tenho ouvido isso por aí.
Malthus,
durante mais de dois séculos, tem sido uma figura eminente na história do
pensamento econômico. Neste início do século XXI, entretanto, ele adquiriu o status de maior visionário
entre todos
os economistas de todos os tempos.
Por que me
lembrei de Malthus? Porque a recente crise carcerária é a materialização mais
medonha de suas previsões. Neste ponto, não quero ir muito além do grau de crueldade verificado. O
afrontamento ao poder constituído pode ficar em segundo plano. Revoltas em
prisões são relatadas desde que elas existem.
Mas quem poderia visualizar tanto horror se o crime organizado não tivesse se tornado mais poderoso que o poder constituído nos santuários do trafico de drogas. E o que é mais grave, obtido mais comprometimento com seus códigos que os princípios de cidadania da população como um todo. Lamentavelmente, temos que admitir que os bons cidadão que residem nas favelas são verdadeiros heróis de uma resistência contra os mandantes comunitários e contra os seus códigos. Também lamentavelmente, não podemos deixar de reconhecer que a principal força propulsora dessa resistência são as religiões evangélicas, negócios muito bem gerenciados para a exploração da miséria cultural de um povo miserável.
Mas quem poderia visualizar tanto horror se o crime organizado não tivesse se tornado mais poderoso que o poder constituído nos santuários do trafico de drogas. E o que é mais grave, obtido mais comprometimento com seus códigos que os princípios de cidadania da população como um todo. Lamentavelmente, temos que admitir que os bons cidadão que residem nas favelas são verdadeiros heróis de uma resistência contra os mandantes comunitários e contra os seus códigos. Também lamentavelmente, não podemos deixar de reconhecer que a principal força propulsora dessa resistência são as religiões evangélicas, negócios muito bem gerenciados para a exploração da miséria cultural de um povo miserável.
A esta
altura, para não esquecer que o nosso tema é Malthus, o número de favelados no
Brasil atingiu um número absoluto de mais
de 11 milhões de pessoas, mais de 6 % da população. Os dados são do IBGE, 2010.
Não há dados mais recentes.
Finalmente,
um desabafo. Acho que tenho direito.
O termo “aglomerado
subnormal”, para denominar as favela no Brasil, foi adotado oficialmente pelo IBGE a partir do
Censo de 2010. O termo favela, dos
poucos criados no Brasil e que é entendido em quase todo o mundo, foi colocado
para escanteio. Espero que os usos e costumes, mais sensatos que asneiras dos politicamente corretos, coloquem também para
escanteio as "viagens" subnormais desses burocratas.
Thursday, January 19, 2017
Otimismo e pessimismo
Reinaldo Azevedo, em seu post de 19/01/2017, disse:. "Em momentos assim, é preciso que a gente não se deixe levar pelo pessimismo cínico: “Esse país não deu certo! Não adianta! Nada presta”. Os que enveredam por aí costumam se eximir de qualquer responsabilidade, jogando a culpa, confortavelmente, nos ombros alheios. Quem nunca ouviu um interlocutor a censurar “os brasileiros” por isso ou por aquilo? Sim, “brasileiros” são sempre os outros, não é mesmo?"
Hoje mesmo enviei o comentário abaixo para o blog do jornalista na revista Veja.
No meu conceito, em economia não existe otimismo nem pessimismo. Se o que está sendo feito é sensato, pode-se esperar bons resultados futuros e vice versa. Esse princípio, obviamente, pode ser afetado por fatores externos de materialidade maior que as ocorrências internas. No mais, esse papo de otimismo e pessimismo deve se restringir ao âmbito dos discursos.
Vamos lá Reinaldo, com todo respeito pelo seu blog, que considero um dos melhores do país, acho que você generalizou mais que devia ao não ressalvar que o ceticismo bem fundamentado não é pessimismo nem cinismo. Eu gostaria de lembrar que para se formularem boas propostas são necessários diagnósticos precisos e audaciosos dos problemas, o que muitas vezes exige constatações chocantes que quase sempre são qualificadas como pessimismo. É o que acontece quando se avaliam as qualidades ou, mais especificamente, às faltas de qualidades do nosso povo e de nossas instituições. Os analistas que trabalham com constatações tão perturbadoras não necessariamente costumam estar tirando seu da reta ou jogando a culpa nos ombros alheios.
No meu blog - http://joaolucio-jlf.blogspot.com.br/ - defendo que para o Brasil de fato melhorar é preciso mudar inúmeros elementos culturais, padrões de comportamento e atitudes, alguns herdados devido à nossa ascendência ibérica e outros desenvolvidos aqui, porém todos profundamente enraizados em nosso DNA. Frequentemente me refiro à necessidade de mudanças drásticas, muitas delas de mentalidade, que só acontecerão na medida em que as novas gerações se tornarem muito mais permeáveis à racionalidade e menos vulneráveis aos apelos caridosos e cheios de compaixão, dirigidos principalmente aos não têm alcance para entender as lições da história. Parafraseando você mesmo, a bondade só se faz através da racionalidade, não é assim?
Eu diria que precisamos até mesmo ir além da mudança de mentalidade. Precisamos desenvolver vocações que nunca tivemos, por exemplo, adquirir apetite por coisas pelas quais temos aversão, como controles, resultados, avaliações, correções de rumo, prêmios e punições por méritos e deméritos. Não há como conceber um país em processo de desenvolvimento que tenha um Ministério do Paternalismo e do Assistencialismo mais poderoso que o Ministério da Controladoria. É duro mas é verdade. Somos um país subdesenvolvido e não um país em desenvolvimento. O que precisa acontecer neste país é de tamanha dimensão que equivale a uma revolução, não das que temos visto por aí, mas uma revolução dentro das nossas cabeças. Isso não acontecerá por moto próprio nem dentro de só uma ou duas gerações.
E quais seriam as constatações tão aterrorizantes que levam a proposições tão radicais? Em um post de 26 /11 /2016, eu relacionei algumas:
Parasitismo, corporativismo, fisiologismo, permissividade e incompetência estão profundamente enraizados em nossa formação.Desde sempre. Por outro lado, não nos damos muito bem com conceitos como ética, individualismo, mérito, desempenho, austeridade, competitividade, sucesso, comando, gestão, liderança, inovação, criatividade, diferença, motivação, talento. disciplina, organização,empreendedorismo, persistência, metas, dedicação, esforço, comprometimento e profissionalismo.
Convenhamos, não são marcantes entre nós as características de um povo ou de instituições competentes e politicamente consequentes. Por outro lado, temos todas as manhas de um país culturalmente limitado.
Somos assim e ponto. Do jeito que somos, podem ser feitas mudanças e reformas para melhorar a conjuntura, para sair de cada crise ou até mesmo para evitar a próxima. Mas para o país enveredar pelo caminho consistente do desenvolvimento econômico e social será preciso que mude a essência da cultura do nosso povo e de nossas instituições. Será preciso que as futuras gerações sejam substancialmente diferentes do que somos, livres da prevalência romântica, ideológica, fisiológica, parasitária e corporativista, e que tenham o juízo e a coragem para extirpar esses vícios das nossas instituições.
Não é pessimismo cínico, Reinaldo, é ceticismo com profunda fundamentação histórica. E, de tudo, o pior é que os personagens do debate político, a partir do qual o nosso futuro será moldado, desconsideram solenemente os interesses do país e fingem descaradamente que a ficha ainda não caiu.
Rubens Ricupero não poderia ter sido mais feliz em uma das frases da semana publicadas em "Veja essa", edição de 2/11/16 : "Estamos vivendo um período de grandes incertezas, mas é preciso recuperar um histórico que aponta que isso, de certa forma, é a normalidade no nosso caso.”
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