Sunday, January 22, 2017

O grande visionário


Já em 1798 Thomas Malthus nos alertava que o crescimento incontido da população resultaria em um grande desastre. 
Se Malthus estava errado com relação à consequência específica  do problema, ele  acertou o alvo ao indicar a demografia como o maior problema da civilização.
O aumento da produtividade agrícola e do agronegócio (o único segmento econômico em que o Brasil se destaca) de fato restringiu a ocorrência da fome e da desnutrição generalizadas a algumas das áreas mais pobres do planeta.  Porém, Malthus acertou em cheio ao prever a dimensão catastrófica das consequências do fato que o crescimento populacional  segue um padrão geométrico, aumentando sempre a base de cálculo sobre a qual a taxa de crescimento se aplica. Para quem não tem familiaridade com este conceito, é a mesma coisa que juros sobre juros. 3% ao mês equivale a  42,58% ao ano e não apenas a 36%.

O mais grave de tudo é que as taxas de crescimento tem sido maiores, me parece que por razões óbvias, entre as camadas menos esclarecidas e mais pobres da população. Isso, por consequência,  leva a um denominador sempre maior na medição dos resultados per capita dos programas sociais.

A grande maioria dos problemas que afligem o planeta no século XXI tem, em maior ou menor grau, origem  no fenômeno da superpopulação: a deterioração do meio ambiente,  o crescimento do crime e da violência, a crescente dificuldade do combate ao uso de drogas e ao crime organizado, a explosão populacional das favelas e ghettos (agora se tornando problemas também no primeiro mundo),  a ameaça do terrorismo contra a civilização ocidental,  a imigração ilegal e a progressiva ocupação da Europa pelo islamismo, o populismo de esquerda no terceiro mundo e o aumento desproporcional da demanda por recursos para a seguridade social.

Independentemente de fatos e lógicas, tenho para mim que as pessoas estão ficando piores. Não me parece ser um sentimento só meu. Tenho ouvido isso por aí.

Malthus, durante mais de dois séculos, tem sido uma figura eminente na história do pensamento econômico. Neste início do século XXI, entretanto, ele adquiriu  o status de maior visionário
entre todos os economistas de todos os tempos.

Por que me lembrei de Malthus? Porque a recente crise carcerária é a materialização mais medonha de suas previsões. Neste ponto, não quero ir muito  além do grau de crueldade verificado. O afrontamento ao poder constituído pode ficar em segundo plano. Revoltas em prisões são relatadas desde que elas existem. 

Mas quem poderia visualizar tanto horror se  o crime organizado não tivesse se tornado mais poderoso que o poder constituído nos santuários do trafico de drogas. E o que é mais grave, obtido mais comprometimento com seus códigos que os princípios de cidadania da população como um todo.  Lamentavelmente,  temos que admitir que os bons cidadão que residem nas favelas são verdadeiros heróis de uma resistência contra os mandantes comunitários e contra os seus códigos. Também lamentavelmente, não podemos deixar de reconhecer que a principal força propulsora dessa resistência são as religiões evangélicas, negócios muito bem gerenciados para a  exploração da miséria cultural de um povo miserável.

A esta altura, para não esquecer que o nosso tema é Malthus, o número de favelados no Brasil atingiu um número absoluto de  mais de 11 milhões de pessoas, mais de 6 % da população. Os dados são do IBGE, 2010. Não há dados mais recentes.

Finalmente, um desabafo. Acho que tenho direito.
O termo  “aglomerado subnormal”, para denominar as favela no Brasil, foi  adotado oficialmente pelo IBGE a partir do Censo de 2010.  O termo favela, dos poucos criados no Brasil e que é entendido em quase todo o mundo, foi colocado para escanteio. Espero que os usos e costumes, mais sensatos que asneiras  dos politicamente corretos, coloquem também para escanteio as "viagens" subnormais desses burocratas.    

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