UM ENREDO ASSSTADOR
O ENREDO ABAIXO PROCUROU SEGUIR A SEQUENCIA DOS ACONTECIMENTE NA MEDIDA EM QUE ELES OCORRERAM NO TEMPOontem, 25/11/2016, o ministro Geddel Vieira pediu demissão por ter sido acusado pelo ex-ministroda Cultura Marcelo Caleiro de advocacia administrativa em benefício próprio.
A demissão de Geddel, entretanto, não é o fato mais espetaculoso até agora do amplamente discutido caso do pedido de liberação do gabarito de um prédio em Salvador, contra o posicionamento técnico do IPHAN. Caleiro, que também se demitiu poucos dias antes, em depoimento à Polícia Federal, afirmou que teria recebido pressão do próprio Presidente Temer para resolver o problema de Geddel. Agora, cogita-se até no impeachment de Temer.
Pois muito bem. A reação de Temer foi anunciar publicamente que availa vetar eventual anistia ao caixa 2, ato coletivo de advocacia administrativa que parlamentares estão empenhados em concretizar, também em benefício próprio. Segundo o Estado de São Paulo, "depois de sinalizar que sancionaria medida, se aprovada no Congresso, presidente recua para não contrariar 'vontade expressa por milhões de brasileiros'."Sob pressão é diferente, não é? Temer disse, também, que não fez mais que administrar o conflito entre dois ministros.
Mas a coisa não termina aí. O presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse, conforme informa o Valor Econômico, "que o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) não usou o cargo para atuar em benefício pessoal. Para Jucá, Geddel estava "defendendo a Bahia, defendendo Salvador". Em outras palavras, somos todos idiotas e não entendemos o que está nas entrelinhas do fisiologismo.
Padilha também esta enrascado no caso e alguns juristas julgam que ele teria cometido advocacia administrativa.
Querem mais? Segundo Veja, o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), "reconheceu que o ministro errou ao levar ao governo federal um tema 'pequeno', 'paroquial', mas justificou que “todos somos falíveis”. Para Pauderney, Geddel cometeu uma 'falha humana' ao 'tratar de um assunto que não caberia', mas destacou... que temos problemas enormes no país para resolver."
Que horror!
Mas o horror maior não está nos fatos ocorridos mas no fato que dependemos de Michel Temer para fazer as reformas essenciais ao equilíbrio das contas públicas e para levar o país até as eleições de 2018. Não temos opção viável. Um transtorno institucional levaria o país a uma situação de caos cujo alcance não é possível visualizar. Qualquer brasileiro de boa fé e com algum bom senso é hoje personagem de uma tragédia, tragédia na ascepção exata do termo, que significa um conflito moral intenso e um destino fatal. Qualquer decisão entre ficar com Temer ou não é uma decisão trágica e imprevisível.
A condução desta crise mostra que natureza de Temer se soma a sua formação política. Ele, assim como a maioria dos principais políticos, são o espelho do que é o Brasil. Ele é um presidente que em quase tudo nos representa, representa a cultura de nosso povo e de nossas instituições.
Até a forma em que se deu desfecho do problema, com o pedido de demissão do ministro Geddel e não com sua demissão por iniciativa do presidente, depois de quase uma semana de tentativas de abafar a crise, demonstra a falta de firmeza de atitudes e a postura de Michel Temer como chefe de Estado. A narrativa de que é preciso ser conciliador com pessoas de dubiedade ética porque elas são importantes para a aprovação das reformas passa a ser balela no momento em que se identifica a corrupção explícita e pontual. Em episódios como este, nem num país eticamente frouxo como o Brasil pode-se abrir mão de agir com determinação e na hora certa.
O BRASIL É ASSIM MESMO
Mas será que devemos esperar a indignação dos brasileiros com esse episódio? Tudo indica que sim. Precisamos nos indignar. Mas de novo? Uma, duas, três indignações por mês, ano após ano? Até as pessoas mais exigentes e com o mais elevado grau de compostura acabam ficando insensíveis e anestesiadas pela rotina da esculhambação geral do país.Geral significa geral mesmo. A esculhambação está presente de forma acentuada nas pessoas e nas instituições . Está presente na política, na administração pública, nas empresas estatais e privadas, na Educação, na Saúde, na segurança pública, etc. Está presente nos níveis federal, estadual e municipal.
Não se trata só de uma crise. Isso não é de hoje.
Parasitismo, corporativismo, fisiologismo, permissividade e incompetência estão produndamente enraizados em nossa formação.Desde sempre. Por outro lado, não nos damos muito bem com conceitos como ética, individualismo, meritocracia, desempenho, austeridade, competitividade, sucesso, comando, gestão, liderança, inovação, criatividade, diferença, motivação, talento. disciplina, organização,empreendedorismo, persistência, metas, dedicação, esforço, comprometimento e profissionalismo.
Convenhamos, não são marcantes entre nós as caracteristicas de um povo ou de instituições competentes e politicamente consequentes. Por outro lado, temos todas as manhas de um país culturalmente limitado.
Somos assim e ponto. Do jeito que somos, podem ser feitas mudanças e reformas para melhorar a conjuntura, para sair de cada crise ou até mesmo para evitar a próxima. Mas para o país enveredar pelo caminho sustentável do desenvolvimento econômico e social será preciso que mude a essência da cultura do nosso povo e de nossas instituições. Será preciso que as futuras gerações sejam substancialmente diferentes do que somos, livres da prevalência romântica, ideológica, fisiológica, parasitária e corporativista, e que tenham o juízo e a coragem para extirpar esses vícios das nossas instituições.
Talvez isso seja querer demais.
Precisamos nos conscientizar que os Temer, Sarney, Renan,Lula, Dilma, Cunha e outros são natos, hereditários e incorrigíveis
A RESPONSABILIDADE DAS PESSOAS DE BEM
Porém, no momento atual, das profundezas de nossa tragédia, temos a obrigação moral de assumir que dentre os males deve prevalecer o menor, e apoiar a condução do governo pelo presidente Temer até as próximas eleições e a permanência do país, sempre, dentro da normalidade institucional .
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