20/10/2016
O
brasileiro reclama do seu país mas ninguém dá conta de suiço reclamando da Suiça ou belga reclamando da Bélgica. É que o brasileiro não entende das
coisas e, por isso, reclama sem razão. É preciso informar melhor aos
brasileiros. Por exemplo:
- Dinheiro que transita pelos
cofres públicos não é para ser gasto em investimentos ou despesas do
interesse dos cidadãos. É para ser gasto com obras superfaturadas, com
propaganda do governo ou com o pagamento de funcionários
desnecessários.
- Emprego público não é
para suprir serviços à população. É para acomodar os parentes, amigos e
partidários dos governantes e, principalmente, para reforçar, via dízimo,
o caixa do partido.
- Ministérios e seus órgãos não
são para dotar o governo de uma estrutura adequada para governar. São para
possibilitar ao governo distribuir cargos em troca de apoio político, o que é essencial para a governabilidade.
- Ter mérito não é nenhum mérito.
O verdadeiro mérito está em pertencer a algum segmento minoritário do qual
a sociedade tenha pena a ponto de justificar a sua inclusão em algum
sistema de cotas ou programa social.
- Sobriedade de
hábitos, o que inclui trabalhar arduamente, gastar menos que o que
se ganha e ter menos filhos do que é possível criar,
não vale para nós. Aqui o importante é ter muitos filhos (Deus dá, Deus
cria) e habilitar-se como beneficiário de beneses governamentais.
- Trabalhar, aliás, não está com
nada. Qualquer ponto em que um mendigo conseguir se estabelecer para pedir
esmola rende mais que o salário de um operário não qualificado.
Alias, quem ainda não viu, pedindo esmola em um sinal de trânsito,
um cego ou um aleijado em cadeira de rodas sendo conduzido por uma pessoa
em perfeitas condições de trabalhar. Pois é, o Brasil é provavelmente o
único país do mundo que tem assessor de mendigo.
- Só as pessoas desprendidas devem abrir seus próprios negócios. As pessoas precisam
entender que o lucro é coisa do demônio e que o objetivo de qualquer
empreendimento é propiciar benefícios aos empregados e pagar impostos.
Além disso, só os idiotas podem pensar em reduzir o custo Brasil e
aumentar a competitividade dos negócios. Isso não dá IBOPE para
ninguém.
- A violência no Brasil não é
nadinha maior que nos países de primeiro mundo. Nossa imprensa é
sensacionalista e exagera muito. Isso transmite uma imagem distorcida
tanto para os estrangeiros quanto para os próprios brasileiros.
- O mesmo pode ser dito com
relação à corrupção. Nem a ex Presidente da República, com todo o acesso
que tinha à informação, conseguiu enxergar a dimensão da
corrupção do setor público. Funcionários corruptos, aliás, são
induzidos ao mal por empresários gananciosos. Além disso, vários políticos
e funcionários que já foram acusadas de corrupção continuam merecendo a
confiança do governo. A prova da inocência dessas pessoas está no fato que
não foram punidas.
- Todos os males econômicos do
Brasil são resultado de fatores externos, exceto os que são causados pela
falta de escrúpulos dos nossos banqueiros.
- O equilíbrio fiscal é sim
necessário, porém, a cobertura de déficits pode perfeitamente ser feita
com o aumento de impostos e aumento do endividamento. Redução de gastos,
nem pensar. Aliás, temos hoje reservas cambiais que em muito
superam os endividamentos interno e externo do país. A inflação está sob
controle e a recessão é um fenômeno passageiro. Nosso futuro é
brilhante. Não chegaremos jamais à humilhação que sofreu a Grécia. E se,
como a Grécia, chegarmos à condição de insolvência, isso será devido à
irresponsabilidade de credores internacionais. Mostraremos ao mundo a
nossa condição de vítimas do capitalismo incontido e seremos
devidamente resgatados.
- O povo precisa entender que a
chamada farra fiscal é uma
opção política profundamente honesta daqueles que estão apenas criando
privilégios para as camadas mais necessitadas da população. A austeridade só serve para prejudicar os mais pobres.
- Nomeações para o judiciário não
são nomeações políticas como quaisquer outras. A importância dos tribunais
é a moldagem das instituições para a garantia da prevalência das
verdades dogmáticas, livres de preconceitos opressores do
conservadorismo. Imparcialidade, honorabilidade e saber jurídico são
fatores positivos mas não são a essência da função.
- Fala-se muito em aparelhamento
da máquina Estatal. . Para início de conversa, vale perguntar se alguém de
sã consciência vai nomear adversários para os cargos de que dispõe? Diz o
ditame popular que os chamados 'cachorros de ministro' vêm e
vão, na medida em que mudam os governos, mas que os chamados 'gatos
de ministério' ficam. Porque não cuidar tanto dos provisórios quanto
dos permanentes? Porque não garantir a representatividade das forças do
povo nos quadros permanentes de pessoal? Isso será útil para minar futuros governos elitistas. Afinal, a representatividade
ideológica deve existir não só no legislativo mas em todos os segmentos da
sociedade.
- Ainda sobre o aparelhamento da
máquina, não se pode esquecer que os sindicatos são a melhor escola de
treinamento para o exercício de cargos públicos e diretorias de
fundos de pensão.Por isto, precisam ser financiados com imposto
específico.
- Aumentar a produtividade e a
competitividade, para um país de dimensões continentais e que tem um
enorme mercado interno, não é uma prioridade relevante. A verdadeira
prioridade está em criar mecanismos legais e programas sociais de
distribuição da renda. Quanto à produção, basta garantir a proteção às
empresas nacionais para que não sejam atropeladas por concorrentes
estrangeiros. Todas as estatísticas comparativas de desempenho e competitividade
entre países são feitas por entidades internacionais. Portanto,
são de confiabilidade duvidosa.
- O Brasil, em suma, continuará a
ser um país para todos e uma pátria educadora que prioriza a saúde
ideológica sobre o ensino clássico e científico.
No comments:
Post a Comment