Em
apenas dois terços de uma página de revista, o Mike Feinberg diagnostica
o mais complexo problema da educação fundamental em áreas de intensa pobreza
e indica uma solução.
O problema: no ambiente
familiar das classes mais pobres as crianças convivem com uma
cultura que incentiva e valoriza o conhecimento muito menos que o
desejável.
A solução: manter essas crianças o maior tempo
possível em um ambiente cultural mais propício e empregar práticas educacionais
e gerenciais adequadas.
Dentre as práticas que as escolas devem adotar; Feinberg
destaca:
- a responsabilidade dos alunos pelo fracasso.
- a adoção de horário integral para que os alunos possam dedicar-se a aprender e a praticar o que aprendem (ler muito e fazer muitos exercícios de matemática, por exemplo);
- o compromisso incondicional com o mérito e rompimento com o igualitarismo.
- a gestão por padrões empresariais ("incentivar os quadros mais talentosos e ter pulso para se livrar dos menos eficazes" (quebrar o tabu das demissões).
- combate ao corporativismo, que Feinberg qualifica como " um incômodo obstáculo à qualidade".
Feinberb
informa que outros países do terceiro mundo já têm escolas que se baseiam nos
dois pilares do sucesso de seu método: professores competentes e alunos imersos
na escola em tempo integral. E ele se pergunta: por que não o Brasil?
Lamentavelmente, onde o populismo prospera os ensinamentos de
Feinberg não encontrarão boa receptividade. Para
os partidos populistas, a educação e a cultura são ótimas bandeiras, Porém, o
compromisso com sucesso efetivo dos projetos educacionais é uma grande
encrenca, pois eleitor esclarecido não vota em político populista.
Daí, é possível antever como será a receptividade do setor publico
brasileiro aos ensinamentos de Feinberg:
- o diagnóstico do problema, e o rompimento com o igualitarismo, serão tachados de elitistas e de preconceituosos;
- os professores públicos não assumirão a responsabilidade pelo fracasso de seus alunos, até porque o funcionário público, se não for pego roubando e se não matar, não será responsabilizado por nada;
- a remuneração vinculada ao mérito será considerada um afrontamento ao igualitarismo e um perigo para os mediocres. Demissões, então, nem pensar.
Também, seria ingenuidade acreditar que os praticantes do
corporativismo, sentimento tão profundamente enraizado na cultura do
serviço público brasileiro, venham a levar em conta se estão ou não sendo um
obstáculo à qualidade.
Por essas razões, não se deve esperar que o governo populista tenha vontade política de implementar as idéias de Mike Feinberg.
É preciso, ainda, considerar o fator custo. O
ensino em tempo integral é caro assim como é caro remunerar adequadamente
os professores competentes.
Porém,
em artigo recentemente publicado em Veja, Mailson da Nóbrega mostrou que o
percentual do PIB que o Brasil gasta com educação não é baixo em relação ao que
gastam países que têm resultados muito melhores que os nossos. Como
sempre brilhante, o Mailson da Nóbrega critica a fixação dos gastos com
educação em 10% do PIB e deixa claro que o problema educacional do Brasil
é de gestão e não de dinheiro.
Um dia, talvés, Mailson.… quem sabe?
No comments:
Post a Comment