O viés conservador é, em economia, essencial. Economia não aceita porraloquice.
A estabilidade precede a tudo. A partir dela pode-se obter a formação de poupança, a atração de investimentos , a produtividade e a distribuição da produtividade. Sem esses elementos não há como alocar de maneira eficáz os recursos escassos entre fins alternativos. Não existe nenhuma evidência histórica de sucesso obtido através de governos paternalistas e assistencialistas. Apesar de que, para muitos, a ficha não caiu, o muro de Berlin caiu e , junto com ele, em efeito dominó, todos os regimes socialistas da terra , exceto Cuba e Coréia do Norte.
A política, sendo o pano de fundo de tudo em uma sociedade democrática, é o grande desafio. Lamentavelmente, não existe receita para melhorar a qualidade da política que não seja a evolução cultural da sociedade. Aí reside o grande paradoxo: isso só é possível com a evolução do nível da política.
Este é o dilema causado pelas grandes populações. O mundo era mais fácil antes da explosão demográfica. É possível que tenhamos perdido o bonde da história.
A incompetência da minha geração, e das imediatamente anteriores, é responsável por isso.
O regime militar é hoje, com toda justiça, criticado pelas agressões aos direitos humanos. Poucas pessoas enxergam
que a visão de um Brasil auto suficiente, o nacionalismo e a perspectiva puramente local dos militares foram os fatores que nos fizeram perder esse bonde. Foi a única ocasião em que o país teve condições políticas de cair no mundo real, pelo bem ou pelo mal, (com certeza, na época, pelo mal), mas jogou por terra aquilo que não se pode negar ter sido uma oportunidade. Nunca ouvi dizer que os formuladores de política econômica, nos 20 anos de regime militar, tivessem procurado se espelhar no que se passava, na época, nos países asiáticos. Nem mesmo no Chile, cujo regime, apesar de ter sido o mais sangrento, foi a mais eficaz, sob o aspecto econômico, dos regimes autoritários da época. Talvés eu esteja fazendo uma injustiça a Octávio Bulhões e Roberto Campos, mas como posso saber se eles nunca reclamaram, ou nunca puderam reclamar publicamente.
Não se pode negar que o regime militar teve méritos no aspecto econômico . Quem viveu a ultima metade do século XX certamente saberá reconhecer que a modernização do agronegócio, promovida por Alysson Paulinelli e o plano real, apoiado por FHC, são hoje pilares de sustentação da economia do país.
Me recuso a creditar Lula por qualquer mérito exceto o de não ter destruído a estabilidade que herdou do governo anterior. Isso ficou na conta de Dilma. Me recuso premptoriamente a aceitar a adoção do fisiologismo e da gastança que ele hoje defende como tendo sido essenciais para obter ganhos sociais questionáveis, hoje diluídos ou totalmente desaparecidos no caos econômico e político em que Dilma jogou o país .Também me recuso a reconhecer FHC como estadista, apesar do plano real e das privatizações. Eleito no primeiro turno por duas vezes consecutivas, não teve a grandeza necessária para enfrentar o congresso e fazer as reformas que o país até hoje necessita. Não foi totalmente um fraco, como Itamar Franco ou José Sarney, mas não teve a contundência para exercer o poder conforme princípios que caracterizam os grandes estadistas. Como Tancredo Neves, FHC procurou mais defender o seu que as suas convicções. Além disso, embarcou na prática de trocar cargos por apôio político. Nem por essas falhas, entretanto, FHC deixou de ser o menos pior entre os presidentes dos anos pós democratização do país. Vamos esperar agora pelo Bolsonaro, fazendo votos para que seu estilo paspalhão não atrapalhe muito.
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