“Não há mais espaço para feitiçarias (...). Estamos tratando de resolver nossos problemas de frente. Se não o fizermos agora, o Estado quebra. Se não promovermos as reformas necessárias, ficaremos presos no atoleiro da ineficácia fiscal”, completou. Michel Temer, Valor Econômico de 16/12/16.
O brasileiro adora a feitiçaria, ou seja qual for o nome que se quiser dar à heterodoxia econômica. Esoterismo, ocultismo, misticismo, em suma, qualquer opção pelo comportamento alternativo, fora dos padrões de evidência empírica ou histórica. Não é à toa que a reprovação a Temer aumentou na pesquisa datafolha de 7-8 de dez 2016 para 51%, contra 31% em julho passado. Os que consideram o governo regular caiu para 34%, contra 42% em julho. Também não é à toa que pesquisa Datafolha da mesma data já mostra os esquerdistas, fragorosamente derrotados nas eleições de outubro, liderando posições para a disputa presidencial de 2018.
Mas porque as coisas haveriam de ser diferentes se a feitiçaria é a vocação do feiticeiro? Que ingredientes são mais adequados para a receita da mistura mágica fervida no caldeirão que o Estado grande, o Estado provedor?
Temer está certo. Podemos gostar dele ou não. Sem o teto de gastos, que já foi aprovado, sem as reformas e sem um processo radical de desburocratização do país, estaremos descendo ainda mais ao fundo do poço.
É preciso entender bem que só Temer, nos dois anos que restam de seu mandato, fará isso. Muito simples, Primeiro porque ele não tem outra opção. Ele é inelegível para um segundo mandato. Não pela Lei mas por absoluta falta de eleitores. Ele é tão anti-carismático e carrega , desde sempre, tamanho fardo de impopularidade que seria arrasado em uma eleição majoritária, independentemente da postura que adotasse. Segundo, porque outro qualquer, eleito em 2018 ou em eleições antecipadas - como querem alguns inconsequentes - com certeza adotará uma postura mais adequada ao DNA romântico e relaxado do brasileiro. Em agosto de 2015, em um post intitulado “ O seu mundo Caiu?”, escrevi que “ não haveria de ser por causa do total fracasso do populismo que levou o país a uma das piores situações econômicas de sua história e da corrupção sistêmica e generalizada, que a evidência dos fatos iria prevalecer sobre a mentalidade ibérica, romântica, paternalista, assistencialista, oportunista e fisiológica de um povo....que a percepção dos políticos sobre o esse DNA faz com que eles não se arrisquem a assumir convicções permanentes sobre princípios fundamentais...pois, no dia a dia do funcionamento da política, tais convicções (e a coerência entre elas) se tornam altamente inconvenientes.”
Temer optou por um jogo arriscado porque tem plena convicção que se optasse por seguir seu feitio inato passaria para a história como o presidente da última pá de cal.
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