A onça é um bicho que causa medo. À distancia, nem tanto, mas
se nos aproximarmos muito, é um bicho assustador.
O presidente Temer tem procurado se manter à distância da
onça no que se refere ao corte dos gastos. Cuidando da PEC 241 e do déficit da
previdência ele apresenta propostas substanciais para o déficit de médio e longo
prazos. Inclusive no que se refere a pressões
sobre os governos estaduais para que se enquadrem no processo da
responsabilidade fiscal. Temer está enfrentando interesses ideológicos, corporativos
e fisiológicos que procuram se manter ao longo do tempo. São interesses
poderosos, pois a defesa das posições de
sempre alimentam as posturas populistas atuais.
O presidente merece o nosso apoio e nossos aplausos nesse particular.
Mas Temer, até agora, não se dispôs a cutucar a onça com vara
curta.
A redução dos ministérios foi pífia. O tamanho do Estado
continua o mesmo. A burocracia que sufoca os negócios continua a mesma. E nem
se ouve mais falar na redução dos mais de 100 mil cargos de nomeação discricionária
no governo federal.
Dá para entender. Cortar gastos atuais implica em frustrar
interesses de pessoas da convivência diária do presidente, de parlamentares de
sua base de apoio e de funcionários influentes na burocracia estatal. A proximidade
desses com a pessoa do presidente é muito maior que a das pessoas que
possivelmente serão frustradas por cortes futuros. Efeitos imediatos geram paixões
mais ardentes que expectativas criadas. Geram diferenças de natureza pessoal, não necessariamente
de natureza política ou ideológica. Geram ódio e discórdia.
Porém, aí esta mais um desafio ao presidente que queremos que
nos deixe em 2019 com um legado histórico positivo.
Como afirma o economista chefe do banco Credit Suisse, Nilson
Teixeira, no Valor Econômico: "Sem ajuste no curto prazo, PIB não reage e
recessão continua" Ele elogia as propostas do governo para a área fiscal,
mas afirma que, sem um ajuste fiscal de curto prazo, “o país não voltará a
crescer”.
Parece que o presidente
quer segmentar os riscos que corre, cuidando só da austeridade de longo prazo. E essencial
que ele passe a cuidar também da própria cozinha.
No comments:
Post a Comment