Thursday, December 08, 2016

O bafo da onça


A onça é um bicho que causa medo. À distancia, nem tanto, mas se nos aproximarmos muito, é um bicho assustador.
O presidente Temer tem procurado se manter à distância da onça no que se refere ao corte dos gastos. Cuidando da PEC 241 e do déficit da previdência ele apresenta propostas substanciais para o déficit de médio e longo prazos. Inclusive no que se refere a  pressões sobre os governos estaduais para que se enquadrem no processo da responsabilidade fiscal. Temer está enfrentando interesses ideológicos, corporativos e fisiológicos que procuram se manter ao longo do tempo. São interesses poderosos, pois a defesa das posições  de sempre alimentam  as posturas populistas atuais. O presidente merece o nosso apoio e nossos aplausos nesse particular.
Mas Temer, até agora, não se dispôs a cutucar a onça com vara curta.
A redução dos ministérios foi pífia. O tamanho do Estado continua o mesmo. A burocracia que sufoca os negócios continua a mesma. E nem se ouve mais falar na redução dos mais de 100 mil cargos de nomeação discricionária no governo federal.
Dá para entender. Cortar gastos atuais implica em frustrar interesses de pessoas da convivência diária do presidente, de parlamentares de sua base de apoio e de funcionários influentes na burocracia estatal. A proximidade desses com a pessoa do presidente é muito maior que a das pessoas que possivelmente serão frustradas por cortes futuros. Efeitos imediatos geram paixões mais ardentes que expectativas criadas. Geram diferenças de natureza pessoal, não necessariamente de natureza política ou ideológica. Geram ódio e discórdia.
Porém, aí esta mais um desafio ao presidente que queremos que nos deixe em 2019 com um legado histórico positivo.
Como afirma o economista chefe do banco Credit Suisse, Nilson Teixeira, no Valor Econômico: "Sem ajuste no curto prazo, PIB não reage e recessão continua" Ele elogia as propostas do governo para a área fiscal, mas afirma que, sem um ajuste fiscal de curto prazo, “o país não voltará a crescer”.
Parece que o presidente quer segmentar os riscos que corre, cuidando  só da austeridade de longo prazo. E essencial que ele passe a cuidar também da própria cozinha.   

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