A reação do presidente da república aos vazamento da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, foi morna, apesar dele ter repudiado "com veemênica as falsas acusações".
Segundo o Estadão, Temer reagiu com "preocupação" e sem "ingenuidade". "A ordem no Planalto, entretanto, é evitar muitos comentários, reforçar que as delações precisam se comprovar...Interlocutores do presidente admitem, contudo, que 'os efeitos disso precisam ser observados' e que a Lava Jato sempre foi e continua sendo um fator 'imponderável' ".
Já a Folha de São Paulo informou que as "delações preocupam Temer e a ordem no governo é 'esperar a poeira baixar antes de traçar diagnósticos'...é preciso avaliar a extensão das delações para não tomar 'decisões precipitadas' ". Continuando, a Folha informa que "Segundo integrantes do Planalto, Temer é um político experiente e está tranquilo...Todos negam ter cometido qualquer irregularidade."
Pois muito bem, se as acusações são falsas, se o presidente está tranqilo e se todos os acusados negam ter cometido qualquer irregularidade, porque não armar logo os pilares da sua defesa contra a delação do Sr. Claudio Melo Filho e contra todas as outras, passadas e futuras, tomando as atitudes que a sociedade espera e não só fazendo declarações? E também, porque não tomar as atitudes agora; porque esperar a poeira baixar? A sociedade está apreensiva e o país precisa tranquilidade para fazer as reformas tão necessários que o governo está propondo.
Para tanto, basta que os acusados inocentes tomem a iniciativa de colocar à disposição da justiça a quebra de seus sigilos bancários, telefônicos e até mesmo documentais, em suas residências e gabinetes. Não é "ingenuidade". É uma estratégia de defesa. É uma bela estratégia que, além de tudo, transmite confiabilidade. Os acusados que afirmam não ter nada a temer terão um pouco de trabalho, é certo, facilitando o acesso às informações, mas podem ter certeza que isso será altamente recompensado pelo aumento de sua aceitação pública.
É óbvio que isso não vai acontecer. Posso ser bobo mas nem tanto. Escrevi o texto acima por pura sacanagem. Como diz o meu amigo Bola, "sacanagem tá valendo".
Porém, apesar de todo o escracho ético que que se instalou no governo, parafraseando o Juiz Moro, o Brasil precisa sobreviver. Essa é uma imposição do pragmatismo que chega a injuriar nossa consciência. Não temos saída. Face à opção medonha de uma nova descontinuidade política ou à opção maluca de uma ruptura institucional, temos que engolir a seco essa gente cuja inocência só se manifesta em declarações, e esperar com resignação a poeira baixar.
Reinaldo Azevedo, em seu blog de hoje, nos lembra que "países não são botecos e não entram em falência. Não fecham as portas. Eles podem piorar indefinidamente."
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