Além de estar desiludido com o Brasil, me pareceu que quase todos meus conhecidos portadores de uma cabeça pensante também estavam desiludidos. Isso não mudou.
Só que surgiu um fato novo, mais eloquente que os fatos desencorajadores que continuaram acontecendo quase no dia a dia deste Brasil irresponsável em que vivemos. Não faltaram alertas. A equipe econômica nunca deixou de avisar que a continuada falta de compromisso da maioria dos congressistas com o país acabaria levando ao aumento de impostos. Como compromisso de político só existe com o lema "desde que eu leve o meu o resto que se dane", o desatino dos senhores congressistas acabou levando a um aumento de impostos.
Deu no que deu. Ou seja, uma vez que o equilíbrio fiscal não veio em dimensão nem em forma saudável para a sociedade : mais uma vez a tentativa de ajuste se faz de forma que ela recai principalmente sobre o executivo e distribui o ônus sobre a população como um todo. Não se toca em intersses de coletividades específicas como funcionários públicos, sindicatos, exportadores, importadores, entidades de classe, categorias de profissionais liberais, etc. Ou seja, não se abre nenhum ferida onde possa existir uma reação organizada e com poder de fogo político. E, como sempre, o ônus é inversamente proporcional à renda do índivíduo. O raciocínio é simples. O custo do transporte assim como os encargos sobre vendas pesam mais no bolso do pobre que no do rico.
As repercussões são dispersas, todos chiamos um pouco, cada cidadão individualmente chia num âmbito limitado. Os alvos possíveis são o Presidente e a equipe econômica. Além disso, como bem recomendado por Maquiavel, o mal deve ser feito de uma vez só Não é cômodo para a maioria dos congressistas que querem se manter isentos e ver o circo de Temer pagar fogo. Mas até para Temer o ônus é menor que o desgaste lento e progressivo que teria de emfrentar com cortes substanciais de gastos públicos.
O leitor está esperando que eu diga que isso é covardia. É claro que é. Mas acontece que no Brasil o caminho para o político com determinação e contundência é muito mais estreito que o caminho para o populistas e o equilibrista. Eu me lembro de poucos com determinação e contundência. Jânio Quadros e Carlos Lacerda são os melhores exemplos. Mais recentemente, Bolsonaro e Antônio Carlos Magalhães. Estou tratando só do estilo, é claro. Imaginem comparar o conteuúdo de um Bolsanaro com o de um Lacerda. Já o soberano do equilibrismo foi FHC, que eleito por maioria absoluta para dois mandatos consecutivos nunca se empenhou de verdade em fazer as reformas que o pais precisa. É certo que foi o melhor que tivemos após o regime militar. Por alguns, chegou a ser classificado como estadista (estadista meia boca , se isso é possível).
Mas voltando ao corte de gastos. Em 12/08/2016 escrevi publiquei um post entitulado "O Bafo da Onça" que continha o seguinte texto (tentando explicar porque Temer estava usando seu peso político para promover as reformas mas não estava cortando gastos): " A redução dos ministérios foi pífia. O tamanho do Estado continua o mesmo. A burocracia que sufoca os negócios continua a mesma. E nem se ouve mais falar na redução dos mais de 100 mil cargos de nomeação discricionária no governo federal.
Dá para entender. Cortar gastos atuais implica em frustrar interesses de pessoas da convivência diária do presidente, de parlamentares de sua base de apoio e de funcionários influentes na burocracia estatal. A proximidade desses com a pessoa do presidente é muito maior que a das pessoas que possivelmente serão frustradas por cortes futuros. Efeitos imediatos geram paixões mais ardentes que expectativas criadas. Geram diferenças de natureza pessoal, não necessariamente de natureza política ou ideológica. Geram ódio e discórdia."
Quase um ano depois não mudou nada.
Há quem continua esperando. Muita gente pensa que o fato de uma eleição direta ter o dom de conferir ao futuro presidente uma legitimidade mais visível que a de Temer será o diferencial para a viabilização de um governo competente. Ora, a não ser que ocorra algum fato novo e inesperado, com os candidatos hoje considerados viáveis , não se pode esperar muito. Nem mesmo do Alckmin. Não podemos nos esquecer que nos debates com Dilma nas eleições de 2010 ele não teve a coragem de defender as privatizações. É a opção mais razoável, mas não podemos esperar dele nada de extraordinário. Porém, no ponto que o Brasil chegou, razoável já é ótimo.
Também não podemos nos esquecer que o Congresso Nacional continuará a ter as mesmas características do atual. Não teremos, antes das eleições, nenhuma reforma política substancial.
Portanto, no futuro previsível, continuaremos a ter um país governado a partir de padrões éticos inaceitáveis por políticos mais comprometidos com o fisiologismo que com o interesse da nação. Além disso, a qualidade do eleitor, plateia para a qual estarão desfilando os atores que administram e legislam, não tende a mudar significativamente, a não ser que para pior. Os últimos dados disponiveis de taxas de fecundidade, obtidas no censo de 2010, demostram claramente que são maiores as taxas nas classes mais pobres e nas regiões mais pobres do país.
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,quando-os-iguais-nao-sao-sempre-iguais,70001898689Quase um ano depois não mudou nada.
Há quem continua esperando. Muita gente pensa que o fato de uma eleição direta ter o dom de conferir ao futuro presidente uma legitimidade mais visível que a de Temer será o diferencial para a viabilização de um governo competente. Ora, a não ser que ocorra algum fato novo e inesperado, com os candidatos hoje considerados viáveis , não se pode esperar muito. Nem mesmo do Alckmin. Não podemos nos esquecer que nos debates com Dilma nas eleições de 2010 ele não teve a coragem de defender as privatizações. É a opção mais razoável, mas não podemos esperar dele nada de extraordinário. Porém, no ponto que o Brasil chegou, razoável já é ótimo.
Também não podemos nos esquecer que o Congresso Nacional continuará a ter as mesmas características do atual. Não teremos, antes das eleições, nenhuma reforma política substancial.
Portanto, no futuro previsível, continuaremos a ter um país governado a partir de padrões éticos inaceitáveis por políticos mais comprometidos com o fisiologismo que com o interesse da nação. Além disso, a qualidade do eleitor, plateia para a qual estarão desfilando os atores que administram e legislam, não tende a mudar significativamente, a não ser que para pior. Os últimos dados disponiveis de taxas de fecundidade, obtidas no censo de 2010, demostram claramente que são maiores as taxas nas classes mais pobres e nas regiões mais pobres do país.
Subsídios: qualquer idiota sabe que nenhum empreendedor investe em um negócio cuja taxa de retorno seja menor que a taxa de captação do mercado mais o spread que lhe é conveniente.
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