Sunday, December 04, 2016

Educação ou "saúde ideológica"?

Está no Gobo de hoje.
"Caminhos para combater o racismo no Brasil' é o tema de Redação do Enem.
Segunda edição do exame acontece neste fim de semana para cerca de 277 mil alunos."
A pergunta é a seguinte: as redações serão corrigidas pela clareza da exposição de ideias, pela organização do texto e pela correção do português ou também pelo conteúdo? E natural que se leve em conta também o conteúdo, para verificar o conhecimento dos alunos sobre um tema que está em evidência em quase todo o mundo. Mas para aferir a "saúde ideológica " de 277 mil jovens, como deixa transparecer o título da redação, que exige "propostas", é bullying.
Imagine-se um candidato que não tenha nada de racismo e que tenha razões para defender a meritocracia, que tanto desagrada os intelectuais de esquerda. Ele terá coragem de expressar seu pensamento e arriscar tomar bomba? Ele terá coragem de escrever que os sistemas de cotas acabarão criando mais discriminação quando alguns cotistas já formados forem preteridos nas seleções de empregos por deficiências de qualificação? Ele terá coragem de sugerir que os que não tiverem bom aproveitamento no ensino médio deveriam ser direcionados para estudos profissionalizantes e práticos, que podem ser mais realistas que o vestibular, dada à condição de cada indivíduo? Ele terá coragem de ao menos mencionar a palavra individualismo?
Acordem senhores educadores. O mundo atual é altamente competitivo. Prevalece a competência. O país não está isolado, e mesmo com um enorme mercado interno, não se tornará isolado. O socialismo coletivista está morto e parte dele está sendo enterrada hoje mesmo em Cuba. A derrocada das esquerdas aqui e no resto do mundo é tão contundente que nem mesmo os senhores intelectuais tem coragem de defender abertamente o fim da propriedade privada dos meios de produção. Ora vejam, se os senhores estão intimidados de defender o que mais apreciam, porque intimidar os jovens candidatos?
O Brasil já está na rabeira dos indicadores mundiais de qualidade do ensino. O país ocupava em 2013 (último dado disponível) a 79ª posição. A partir de 2005, quando os dados passaram a ser anuais, o crescimento da nota do Brasil foi de de 0,93% ao ano. De 1980 s 2005, quando os dados ainda eram quinquenais, esse crescimento foi de 2,14% ao ano. Que querem os senhores, perpetuar essa vocação para a rabeira? Os senhores que pregam tanto a compaixão, não tem compaixão pelas as gerações futuras de jovens? Ou os senhores só tem compaixão pelos jovens de hoje, que já estão prontos para dar suporte às suas marotices intelectuais e facilitar a manutenção do seu prestígio junto a outros intelectuais marotos? Será que os senhores não enxergam que os jovens de hoje, como os de sempre, tendem a pensar e agir a partir da visão romântica das idades tenras?
Não se iludam, senhores educadores. A maioria desses jovens, quando chegarem à idade que tem os senhores hoje, já terão fincado os pés no chão e abandonado os conceitos ultrapassados que os senhores insistem em incutir na cabeça de quem ainda está formando juízo. Além de bullying, isso é covardia.

1 comment:

Unknown said...

Blog MUITO bom. Vá em frente ..... Merece divulgação. Um errinho de digitação "proficionalizante" merece ser corrigido. Não sei a razão, mas aqui está registrado o e-mail de Romulo e não o meu. Não vou alterar. Meu e-mail é rochames@uol.com.br. Abraços e parabéns!

Renato