Wednesday, December 28, 2016

Inconsequência, ambiguidade, omissão e auto-estima


"In a minute there is time
     For decisions and revisions which a minute will reverse." T.S .Elliot, ".....Prufrock"


Episódio nº 1
1. O executivo propôs o teto de gastos.
2. O congresso aprovou.  No Senado, o texto foi aprovado por 53 votos a favor e 16 contra. Para a aprovação  eram necessários três quintos (49) dos votos dos 81 senadores.  Na câmara, foram 359 votos a favor (eram 308 necessários para passar a medida), 116 contrários e duas abstenções. Total 477. Ausentes 37.
3. Só 37 omissos, muito pouco.


Episódio nº 2
1. O executivo propôs Lei exigindo contrapartida dos Estados para medidas de recuperação fiscal.
2. O executivo  foi derrotado na Câmara. . Foram cortados do texto programa de privatizações, criação de limites para a expansão dos gastos com funcionalismo, aumento da contribuição previdenciária dos servidores e repactuação de salários. Na câmara foram 296 votos a favor, 12 contrários e 3 abstenções. Total 313. Ausentes 201.
Obs: a Câmara jogou o executivo no fogo, dificultou a posição dos governos estaduais , enfraqueceu a possibilidade de obtenção de contrapartidas eficazes e assumiu a postura de bonzinhice.
3. Temer absorveu o golpe,negou que tenha havido derrota e disse que iria sancionar o texto aprovado.
4. 201 preferiram fazer de conta que não era com eles e permaneceram como estavam.


Episódio nº 3


Broadcast Político 28/12/16.  Padilha disse que o presidente decidiu vetar integralmente o projeto. "Para a garantia do ajuste fiscal, Temer resolveu, coerentemente, vetar o projeto de renegociação da dívida dos Estados, em razão de ele ter perdido sua essência durante o processo legislativo", afirmou Padilha.


Episódio nº 4
Broadcast Político 28/12/16. Padilha disse que a decisão do presidente Michel Temer de vetar o projeto que trata dos débitos estaduais com a União será limitada à parte da matéria que trata da recuperação fiscal. As contrapartidas serão exigidas por decreto.


Enquanto isso, nos bastidores
Broadcast Político 28/12/16. "Uma semana após dizer que a Câmara 'não precisa dizer amém ao Ministério da Fazenda', o presidente da Câmara, Rodrigo Maia,  mudou o tom na terça-feira, 27, e sugeriu em reunião com o secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, que as contrapartidas voltem por meio de um decreto presidencial. Principal fiador da retirada das contrapartidas do projeto, presidente da Casa começou a defender a tese. 'Entendemos que cabe uma decisão do governo, um decreto presidencial, já que o governo pode exigir, na sua relação com o outro ente, essas contrapartidas'." Como é bom tirar o nosso da reta e descarregar a culpa em outra freguesia.


Falta de auto-estima? Pensando bem, não é o caso
Já escrevi em outro post que efeitos imediatos geram paixões mais ardentes que meras expectativas de efeitos futuros. É o caso das contrapartidas dos Estados. Enfrentar governadores enfurecidos e cheios de argumentos contra as maldosas contrapartidas não seria coisa fácil. O teto dos gastos é impopular também, mas seus efeitos serão amortizados ao longo do tempo. O custo político foi pequeno e fez se uma boa média com o executivo. Além disso, como efeito colateral, prestou-se um belo serviço à nação. Portanto, de acordo com a pseudologia fantastica (sem acento), ficou claro que os deputados agiram, nos dois casos,  dentro do mais perfeito padrão de  coerência.

1 comment:

Unknown said...

"Além disso, como efeito colateral, prestou-se um belo serviço à nação".
Não foi efeito colateral. SERÁ DIRETO e, esperamos, moralize um pouco o descompromisso dos políticos.